Tuesday, 19 February 2008

O novo e o "velho" Fiat 500


( Mal por mal, já que é para enterrar dinheiro num carrito pequeninito a dizer "500", escolhia esta réplica polaca, sobre o chassis do 126...Tambem disponivel em KIT, para se entreterem...)







Não resisti, e para fazer o favor ao sector feminino lá de casa, fui experimentar o "giríssimo " Fiat 500. É muito giro, mas ehh...hmmm....

Para já, isso do "500", é tão verdadeiro como chamar ao "New Beetle" o " Carro do povo" . Estes exercícios de estilo retro, que apenas têm como finalidade chamar a atenção sobre a marca, raramente conseguem manter a chama e o carisma de outrora. Comprar um carro destes, porque se "gosta do original", é o mesmo que ir comprar um hambúrguer congelado porque se gosta de Carne à Jardineira.

Como sempre, as versões mais " dispensáveis" são atiradas borda fora aos cães, como pedaços de carne atirados para fora de uma caravana cercada de lobos. O povo, ávido de poder estacionar o carro "de que todos falam" á porta do prédio, desata a ir pedir ao gordo da Cofidis o suficiente para adquirir um modelo de cilindrada desadequada. Como se não "houvesse" hipótese de outra escolha, porque "há muita procura". Por isso, o Zé Manel compra um 1800 a gasolina, em vez de um 1600 Diesel. E foi uma sorte, segundo ele.

Por isso, eis-me ao volante de um 1400 a gasolina, enquanto o volante me fita com um logotipo a dizer "500".Quinhentos? Quinhentos quê? Contos de desvalorização? Quilos a mais que o original? Dias em que me vou fartar dele?

Sim, de facto o 500, " é muita giro!"Mas se eu fechar os olhos estou ao volante de um Panda atarracado e disfarçado,fabricado na Polónia. E caríssmo. As listas de espera, porém, sobem a um ritmo que nos faz duvidar de qualquer afirmação que diga que "o país está mau".

Lembro-me de em tempos ter convivido de perto com dois modelos do "500", quando efectuava manutenções a frotas de coleccionadores. Lembro-me sobretudo de uma versão fabricada na Áustria pela Steyr Puch, que possuia um motor 650 cc, e onde o dinamo servia também de motor de arranque( Dynastart) . Aquilo acelerava como se não houvesse amanhã! Como se tivesse sido pontapeado pelo Godzilla! O tablier branquinho despojado de qualquer instrumento sem ser o velocímetro, fazia o Tablier do Land Rover parecer o Cockpit do Space Shuttle!

Os pedais de brinquedo, empurravam a pequena caixinha de tecto de abrir para o exterir das curvas, como por maldade, enquanto o pipocar violento do dois cilindros ameaçava tornar-se num Impreza quando fosse grande.

Neste modelo novo, o "ZZZZZZ" envolvente dos novos materiais, faz-me esconder a cara nos semáforos. Rapidamente e com alívio, entrego o volante á Maria, com a desculpa que é para ver " o que é que acha". Assim posso fazer uma cara de que "apanhei boleia". Mas as letras garrafais no exterior a dizer "New Fiat 500" , traem-me de novo, e as pessoas na paragem desconfiam que eu vou mesm comprar uma coisa destas.

Isto é um carro para gajas! Isto é um caro para as meninas endinheiradas pedirem aos papas para comprarem, ou para as esposas louras darem boleias aos colegas, passando pelo Motel da Auto estrada.

Qual foi a ultima vez que viram um "new beetle nas mãos de uma pessoa decente? Pior! Qual foi a ultima vez que viram um GAJO a guiar um, sem ser o mecanico da oficina, pela enésima vez?

O facto, é que estas recriações jamais poderão ser propostas credíveis como outrora, devido ás crescentes imposições das normas de fabrico. Jamais poderemos ter dois cilindros, ou quatro arrefecidos a ar. Apenas brinquedos bonitos feitos com os "restos" dos caixotes das peças dos modelos que "interessam". Se esperam emoções e feeling como antigamente, mais vale ir ao original. Sempre vai valer mais do que a copia "roskoff" daqui a uns anos.

2 comments:

Miguel Brito said...

O único interesse é levantar a cotação dos originais, e fazer encher de brio os verdadeiros possuidores de 500 originais. Faz-me lembrar quando saiu o New Beetle. Como guiava e guio um carocha de 1963, toda a gente me perguntava quando comprava o "novo". E eu respondia que um Golf redondo não me interessava. Não me excito com um carocha por ser redondo, mas pela simplicidade e inteligência do conceito original. Depois passou o fim de 1998, quando o New bettle era a loucura da novidade. Hoje, 10 anos depois, tornaram-se old new beetle, desvalorizados, esquecidos, remetidos para stands de rede de galinheiro na berma das estradas nacionais, vendidos a custo, e apenas se tiverem jantes "tunning" como "extra". E afinal, o meu carocha de 1963 continua a virar cabeças no quotidiano...

Mike Silva said...

Mai nada. Uma excepcao talvez,va la, ao Chrisler PT cruiser, e ao novo Mini, que sao carros que apesar de ostentarem o conceito "retro", adquiriram uma identidade propria.