Friday, 6 November 2009

A VW meeting in Portugal




I thought you would like to have a peek into whats going on in a Portuguese VW meeting. And also, this is an excuse to remember the mates I left behind. "Is there any VW Scene in Portugal"- So you ask me often. Of course there is. Vws were once the real "peoples car", and most families had one . My dad had one. I did my exam in one, in the Air Force. A dual control one, with big lettering in the back bumper saying "Instrucção".( Driver under instruction).




I am in the VW scene since the early eighties, where beetles were pretty much the backbone of the poor people transportation. Cheap, reliable, easy to "have-a-go" mechanics, with parts easily found ( usually for free) in the countless wrecks left on the streets, the beetle was a free encyclopaedia of mechanics for a twelve-year old boy. I found very amusing being able to withdraw an engine from a beetle in ten minutes. Using just a pair of pliers and a 17 spanner!

The first meeting I attended, i mean, driving, was the VW Flash in Nazare, in 1989. A fishermen village north of Lisbon. Few cars, happy people, and beetle talking troughout the weekend,enough for you to slash your wrists or bore you to death. Nevermind. Unforgettable. As the scene caught on, opportunists "organisers" started to rip you off with extorsionary fees to attend meetings. You would take the car, you would pay, and the " organizers" would be congratulated! I kind of had enough of that and preferred the local meetings ever since. Or better still, spend the "admission fee" with my family, in a nice trip aboard the vw.



Campers are called in Portugal as " Pao de Forma", which means something like loafbread, given its shape carved like a "Hovis" bread. The Beetle, is known as " Carocha" which means exactly that, a beetle. At the meetings you are bound to find the same old "Technicians" and "Experts" that will gladly point at you that your number plate screws are from a 63 model and not, as you wrongly thought, from a 64 model. But there are also people that think VW are just a marvellous excuse to meet like minded people and to share experiences and tales of having a beetle.






There is an extensive "catalogue" of aircooled vw in Portugal, and it would be very difficult to find which beetle is "mainstream" or common. There are of course plenty post-68, but also plenty pre-68. Although, comparing with the UK, there is a shortage of "wedges", and the 4x4 Synchro are virtually inexistent.






Camper vans, just like mine, were some few years ago "gipsies vans" and "fishmonger vans". which would deem you socially unacceptable. No one would want to be seen in one, let alone have one! The Type 2 ( Camper vans) were just a cheap alternative as a goods vehicle and that was it. They started being admitted in the vw shows as something "funny" that by a strange coincidence, had the same engine as the beetle!




This is our "pub". A nineteen-forties retired boat converted as a Bar-Restaurant



As the years went by, they became scarse and suddenly, they became a sixties icon. Everybody wanted the "surf" or the "hippies" van. "Cute", as they say. There is nothing worse for a vehicle than being "cute". This is a meeting from "Clube Carocha do Seixal", the people with which I used to go and have some pints. These Photos were taken in August, just south of Lisbon. Mind you, this is just a local meeting, with local people. There are main events with hundreds of cars, ( extorsionary-organisers meetings) which i will post some photos . If I ever set foot in such place again...




Monday, 2 November 2009

Sala das Máquinas na corrida mais antiga do Mundo!



Automóveis em Inglaterra, é com Mike Silva e Sala das Máquinas...Pior que o "Dumdum". Não escapa um...



Uma corrida onde o carro mais MODERNO foi produzido em 1905, tem de ser algo obrigatoriamente visto. A London to Brighton Veteran Car Run ( LBVCR), é um evento que junta centenas de automóveis ( Bom, chamemos-lhes assim) com mais de cem anos, para uma corrida entre a capital inglesa e o Sul de Inglaterra, numa distância de 86 Km. Uma prova que apenas parou em tempo de guerra, desde a primeira edição realizada no longínquo ano de 1896. Esta corrida ,organizada pelo RAC, um dos automóvel-clube britânicos, surgiu como uma celebração do fim da "Lei das Locomotivas de estrada" ( Road Locomotives act) que obrigava os veículos a não exceder as 4 Milhas por hora ( seis Km por hora).


Cada edição desta prova conta sempre com cerca de 500 inscritos de todo o Mundo!



Oitenta e seis Km... Ora, isso fazemos nós em meia-hora, nos dias de hoje, com alguma "compreensão" da Brigada de Trânsito...O problema é ter de fazer este percurso em algo, que basicamente é um estrado de tábuas sobre dois ferros, com um motor de tirar água, a fazer 120 rotações por minuto. Em que o termo " protecção contra os elementos" significa um oleado e fazer todo o percurso completamente encharcado. Em que o termo " chauffage", pertence ao domínio da ficção científica. Estes carros foram produzidos num tempo, em que existia um clube EXCLUSIVO, para membros que conseguiram atingir os 30 Km por hora! The Twenty-Mile-An-hour club... No entanto, é expressamente proibído exceder esta velocidade na prova. Não existe sequer registo do número da chegada a Brighton, tornando este evento numa autentica " Gentlemen Driver Racing.



"Ugh! Cara -pálida circula numa carruagem sem cavalos..."



Circular nas estradas, foi em tempos um exercício de dar a manivela, trepar para cime de uma caixa com rodas, e deslocar-se a uma velocidade pedestre, debaixo de chuva torrencial, tendo um "pchaf-pchaf-pchaf-pchaf" de barulho de motor como auto-rádio.





O Sala das Máquinas acompanhou a única equipa portuguesa participante no evento, a bordo de um Cadillac de 1903 ,propriedade do Dr. Vilar, trazido especialmente de Aveiro para a popular corrida.


Aqui ficam algumas fotos da edição deste ano da "corrida" London-Brighton. Um evento a memorizar.


A chegada a Brighton é sempre um momento especial para as máquinas e pilotos







Chuva,chuva,chuva, e vento. E mais chuva,chuva,chuva e vento. E mais chuva, chuva,chuva e... Ora, isto é Inglaterra! O que é que querias?...



A única equipa portuguesa, com muita carolice , determinação e esforço para poder estar presente, a terminar mais esta edição do London-Brighton. Parabéns!
( Como sempre, não percam a próxima edição da revista "Topos&Clássicos" para uma reportagem alargada)

Monday, 26 October 2009

Voar num Volkswagen!




Sim. Leram bem.



Além de propulsionar carrinhas do peixe ,Buggies e carochas, o pequeno motor de quatro cilindros opostos faz valer as suas credenciais nos céus. Ao longo dos tempos, este motor tem sido utilizado em praticamente tudo o que precise de ser locomovido,desde barcos a veículos ferroviários, debulhadoras Klaas e motocultivadores, ou moto-bombas Metz.


Nos anos oitenta, o Aeroclube de Portugal tinha um Evans Volksplane VP1, que era propulsionado por um motor Volkswagen 1200. Não sei o que aconteceu a essa aeronave ( CS-XAA), mas o sonho de um dia poder reencontar um avião que fosse propulsionado pelo barulho de "cafeteira cheia de pregos ferrugentos" de um motor Carocha,nunca esmoreceu.




"Este motor voa"! Uma frase a poder ser utilizada quando se fala de um motor de Carocha...



Eis-me aqui hoje, no meio de Inglaterra central, num ex-aerodromo da segunda guerra mundial, com um aparelho bilugar de fabrico françês, um Fournier RF4. Tecnicamente, um moto-planador. Um avião na sua essência, semelhante em tudo na sua operação, mas com uma categoria que o insere nos "planadores", com todas as vantagens de poder operar a partir de outras infrastruturas e com custos legais e de manutenção muito mais acessíveis.







Mal pude acreditar quando o motor arrancou: O "platplatplatplat" mais comum de se ouvir num carocha 1200, ali estava propulsionando uma hélice Hartzell. Com um "check-list" de apenas dez items, estávamos prontos para voar. Taxiar em relva "downwind"neste aparelho, é um exercício de sorrir de orelha a orelha. Alí está o "nosso" propulsor de sempre, mantido com a precisão e rigidez aeronáutica. As velas do motor, são fornecidas por uma empresa americana de aeronáutica, e o motor possui dois sistemas de ignição separados a funcionar em simultâneo. O motor de arranque foi reposicionado para funcionar sobre o motor, e as "cabeças " do motor funcionam " ao léu", sem aquelas blindagens caracteristicas do carocha. Os escapes saem directamente para a atmosfera, sem passar por panelas ou silenciadores. Durante as aproximações á pista, perdendo altitude, é necessário acelerar de vez em quando para não arrefecerem repentinamente.


A operação desta aeronave, é como se podia esperar, lenta mas a inspirar bastante confiança. Graças aos modernos instrumentos de Aviação, pensamos estar a bordo de algo mais "potente". Não precisa de grande corrida para descolar, graças à extrema área alar de planador. É espantoso como um avião tão simples, possui trem de aterragem retráctil, ( operado por uma alavanca do lado direito) o que diminui o arrasto em vôo. É apenas durante a fase de atingir altitude suficiente,cerca de 2500-3000 pés, que percebemos estar a bordo de um "carocha". Tal como uma subida íngreme, o " carocha" derrete-se para ganhar altitude. Dez minutos! Não vale a pena tentar subir mais depressa,porque senão o ponteiro da velocidade do ar diminui drasticamente. E em termos aeronáuticos, isto são más notícias para manter um avião no ar. É portanto ver o altímetro a subir muito devagarinho, e relaxar. Aos nossos pés, um "platplatplat" nervoso e impaciente, precisa de alguma habituação, mas descansamos quando sabemos que isto é de facto, um planador. Podemos seguramente aterrar com ele desligado. Uma vez atingido o tecto de operação, e utilizando as suas características como planador, o vôo é suave e com uma resposta surpreendente. O motor pode agora descansar, apenas com pequenas acelerações para manter a temperatura constante. E para perceber se o motor não "foi abaixo",porque não se ouve com o vento a bater na fuselagem.





Descolando em versão " Carocha power"...



Graças à monstruosa difusão deste tipo de propulsor, a manutenção é algo para rir face aos custos de manutenção de outras aeronaves. Com uma fuselagem de tela e madeira, voar num Carocha pode muito bem ser " A Aviação do Povo". Volksplane. Se não houvesse já um chamado assim, era um nome interessante para esta aeronave.

É dificil pilotar e fotografar, por isso, preciso de um fotógrafo para tirar umas fotos lá em cima. Sabem onde me encontrar...


Pictures kindly taken by Louise Walsh. Thank you Brian for the opportunity. Nice plane!