Saturday, 3 May 2008

Ford Fiesta ST: O foguete de bolso



Nunca passei grande cartão a utilitários em que a marca coloca umas jantes especiais, e uma sigla na bagageira, e os vende em fim de carreira mascarados de "edições especiais". A última excepção que me lembro, foi com o Polo 16 válvulas, e claro, com a "arma" dos criminosos da Vasco da Gama, o enervante Saxo.

Acho dinheiro mal gasto, comprar um "carrito" , quando podia estar ao volante de algo mais diabólico , mesmo com uns anitos em cima. Não sei porquê, mas um M3 ou um Celica , ou mesmo um Supra , fabricados na época em que ainda não tinhamos a moeda da desgraça ( Se não sabem a que me refiro, devem estar no estrangeiro como eu...), são imensamente mais sedutores do que estes brinquedos novinhos e caríssimos propostos á geração do Cartão de crédito e do dinheiro fácil.


Quando me surgiu a oportunidade de testar este modelo em Inglaterra, confesso que não me senti lá muito entusiasmado, por ir experimentar basicamente aquilo que considero o carro de um gajo que mora num prédio em Massamá, e trabalha num escritório. O que é que este carro tinha de "Máquina"?

Mas lembrei-me, que há cerca de um ano e meio tinha experimentado o então novíssimo Focus ST, e subitamente mal podia esperar por "arear o queijo" neste Fiesta. As riscas na carroçaria, seriam uma colagem ordinária ao "Viper", ou seriam mesmo indicadoras de que o pequeno "Sport Technology" era para ter em conta?

A sensação que confirmo cada vez mais com os produtos Ford, é a de que estes carros são extremamente bem construídos: Sente-se a robustez, no tacto dos materiais, e a preocupação da escolha dos revestimentos. Sinto realmente que alguém esteve a trabalhar para o meu "feeling", e fico automáticamente preparado para o que se segue.

O motor Duratec de dois litros, sobe de rotação rápidamente e puxa a pequena carroçaria juntamente, com grande autoridade. A "medo" faço o percurso para experimentar, mas passadas algumas voltas, eis que começo a aperceber-me que estiveram aqui mãos com "Background"desportivo. O ST, curva impecávelmente, e a taragem das molas parece-me adequada. Por mais que tente, o exterior da carroçaria não "afunda" em demasia, assumindo um bom compromisso entre desportividade e utilização citadina.



A pouca desmultiplicação da direcção, faz deste carro um potencial companheiro para um dos inúmeros "Track Day" que se realizam com abundância por aqui e por ali. Aqui, não são precisas Vasco da Gama, nem adolescentes com telemóveis. Curva após curva, o meu entusiasmo sobe, bem como o conta-rotações. Tento provocar a traseira, que como é óbvio, reage prontamente à pequena distância entre eixos , e provoca algumas "inversões de marcha" involuntárias.







Tudo sobre este carro, é acerca do curvar. O motor de dois litros, faz o resto, resmungando o caminho todo, queixando-se da posição do acelerador, e do castigo a que é imposto. Um escape completo "Remus" ( Não é "Remos" , é "Rimaz"), produz um som de saxofone capaz de nos drogar imediatamente, e a abençoar cada Pence que ainda resta no depósito para continuarmos a ouvir esta música. Uma espécie de Elefante enervado a soprar pela tromba para dentro de uma manilha de esgoto. Vou tentar gravar isto para ouvir no MP3.



Vocês têm de ver a recuperação deste carro! Deixa-se "morrer" até fazer a curva, depois, basta "pisar-lhe " o rabo, que é ver o ponteiro a subir! Magnífico! Não é preciso pôr uma "abaixo" como noutros carritos falsificados. Os dois litros espremidos nesta caixinha de sapatos, são uma central nuclear à disposição. O motor não grita, mas ameaça com voz grossa que nos vai atirar borda fora, se não paramos de o provocar.

Este carro é perfeito! Uma mistura de agilidade, com utilidade. É como se fosse possível ir ás compras de F16! Não tem aquela sensação de " camioneta" que temos com os Ibiza, por exemplo. Este carro tem pedigree, e não é uma mera camioneta de carga a gasóleo com um foguete aparafusado na caixa de carga. Este carro, é uma espécie de "Impreza dos Pobres" , se bem que dar os cerca de três mil contos em Inglaterra por este carro, não seja propriamente algo que relacionemos com rendimento mínimo.

Caraças, quero um carro destes! As curvas sucedem-se, e outra, e outra vez, e quero mais e mais . Isto é viciante. Agora compreendo o porquê das riscas azuis espanpanantes por todo o carro. É para avisar os "outros " nos semáforos, que vão passar por uma vergonha dentro de poucos segundos. Ah pois vão!

( Agradecimentos ao Especialista Ford de Staffordshire, Malcolm Parton)






3 comments:

Diogo said...

Epá, escreva um livro! Qee raio de País que desperdiça talentos assim...

A sua escrita, é uma lufada de ar fresco.

Felicidades.

CHAGAS said...

Boas!

Encontrei o teu blog por acaso enquanto navegava á caça de sites de clássicos.

Achei o teu trabalho fantástico e tenho pena de ver mais um talento a sair do país. É pena que por cá não se dê valor ás coisas boas que cá temos.

Neste momento apenas te posso desejar boa sorte, e garantir que irei passar por cá muitas mais vezes.

Um abraço,
António Chagas.

http://antchagas.com
http://www.flickr.com/photos/antchagas/

Mike Silva said...

Obrigado pelo vosso apoio, e por apreciarem o meu trabalho.

Já sabem que por estes lados, o discurso "feito" e bolorento, não tem lugar.

Cumprimentos