Monday, 8 March 2010

Sim, estou a restaurar um bombardeiro nuclear...

Um ícone da Guerra fria... A equipa do Sala das Máquinas a colaborar na manutenção.



Desculpem. Não consigo evitar. É mais forte do que eu. Poder participar no restauro dum bombardeiro nuclear com quatro motores que "inadvertidamente" levanta vôo por breves instantes sempre que é testado na pista, tem evitado que eu fique em casa a jogar Playstation ou vá aos Domingos para o café e para dentro dos centros comerciais.


Eu sei, eu sei. Eu devia estacionar o carro num piso "menos três", e passear com a família dentro umas avenidas iluminadas com neons epilépticos e andar aos encontrões com outras famílias aglomeradas como esferovite dentro de uma caixa de papelão, em vez de me ir fechar dentro de hangares com Migs, e caças a jacto clássicos. Ou então se calhar devia ficar em casa a jogar na consola e a fazer pontos e bónus a disparar contra pessoas em aeroportos. Fazendo pausas de quatro em quatro horas para ir à retrete, e comer rapidamente uma sandes.

Não tenho cá nada disso em casa,por isso tenho de levar os putos para dentro de um hangar a sério e entretê-los dentro de um helicóptero soviético Mil "Hind", ou de Jaguares e Buccaneers, porque aqui o clima não é grande coisa, nem há centros comerciais. Apenas mantos verdes a perder de vista, por quilómetros e quilómetros.

O que se torna em boas notícias: Porque quase tudo é plano, esta malta lembrou-se de construir por todo o território um outro tipo de infraestruturas de lazer: Aeródromos. E o Reino Unido tem 1600 deles. Quase tantos como o número de centros comerciais "maiores da Europa" em Portugal. Num destes aeródromos em Leicestershire, existe um grupo que se dedica exclusivamente a restaurar caças e jactos do tempo da guerra fria. Entre os quais, um dos últimos cinco bombardeiros nucleares Handley Page Victor existentes no Mundo.



Mike Silva a bordo do único Handley Page Victor em condições de vôo no Mundo



Convertido para avião-tanque, este exemplar foi fabricado em 1965 e voou na guerra do Iraque e foi retirado da circulação em 2003, restando apenas 11 horas de vôo na fuselagem. Actualmente, está a ser pintado e revisto, e encontra-se em condições de funcionamento total, embora sem autorização para descolar. O que não impede a malta de ir para a pista particular do dono acelerar até aos trezentos Km por hora , sem levantar. "Taxi runs", na gíria aeronáutica.
Nos meus apontamentos, acelerar num avião-tanque da guerra fria numa pista particular com 2560 metros na Inglaterra central,propulsionado por quatro motores de 12 mil cavalos cada, é o equivalente a ficar fechado um fim-de-semana inteiro num elevador com a Hayden Pannetiere.





A equipa que mantém o bombardeiro " não tem culpa" se por breves momentos a aeronave insiste em descolar por excesso de potência. Paciência. O "Vitor" regressa à pista imediatamente mal se feche a "torneira"e os travões fazem o resto. Agora mais uma vez para trás, outros 2560 metros a 300 à hora... Que barulhal do camandro! Que cataclismo inacreditável. Mas podia ser pior. A esta hora podia estar em casa de pijama a jogar jogos de consola acerca de criminosos que andam nas ruas a matar prostitutas e a roubar carros, ou dentro da sala 12 ou 14 de um cinema a ouvir adolescentes a ruminar pipocas e a atender telemóveis...




(Aviso: Estas experiências relatadas por Mike Silva são feitas em ambiente controlado, longe de televisões a dar Bola , Política e novelas, centros comerciais e jogos de consola, ou outra qualquer forma de embrutecimento colectivo ou social. Por favor, não tente fazer isto em casa, e em caso de dúvida pare e consulte um especialísta. )



5 comments:

Castanheira said...

Às vezes quase desejava que nós (tugas) tivessemos entrado directamente nas guerras mundiais. Por esta altura, teriamos certamente também uma série de aeródromos desactivados, talvez convertidos em pistas de automóveis para track-day e afins... por outro lado, se tivessemos entrado nas guerras, talvez eu não estive por cá!

MS said...

Possivelmente, amigo Castanheira. Mas penso que sobretudo é um "problema" de mentalidade. A gente quer é tudo novo e o resto é para o lixo. Não existe em Portugal ( Ainda) uma cultura de preservação do património industrial e técnico. Quanto aos aeródromos , só um dia quando as pessoas começarem a ver que "isto " da Aviação não é só para os ricos, talvez as coisas mudem.

Um abraço.

Carlos said...

OI Mike já agora não queres explicar como é que os motores desta maquina funcionam, é que isto de ter motores de propulsão nuclear faz-me alguma confusão!!
um abraço
Carlos Mata

MS said...

Carlos: A propulsão é feita por um motor a jacto " normal". Nuclear, é a função do aparelho, que se destinava a despejar umas "ameixas" em território inimigo caso as coisas dessem para o torto. Mas neste caso, este aperelho acabou por ser convertido em Avião -tanque durante a guerra do Golfo.

Um abraço.

Carlos said...

Há boa pensei que a maquina tive-se ai uns reactores nucleares para voar!! assim já estou esclarecido
abraços