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Wednesday, 12 August 2009

Um País em obras. Para melhorar?

Os operários tinham de correr para poder encontrar um bocadinho de estrada ainda por escavacar em Portugal...



Eu sei que já desconfiavam que alguma coisa de estranho se estava a passar. De repente, o Sala das Maquinas parou de se actualizar. Estou em Portugal. Para tirar folga das "máquinas", eis que me passeio por este jardim à beira mar plantado em autênticos chassos e ferros-velho que não lembra a ninguém. Como tenho tanta vergonha de dizer quais as montadas que me têm passado pelas mãos, optei por não colocar fotos neste post.

Desde AX Diesel de dois lugares com o tablier carcomido e partido, a carochas sem inspecção, passando por Renaults Chamade sem para-choques e triciclos casal da praça, tudo me vem parar ás mãos.

Mas não é isso que me trás aqui. Como emigrante que sou, e porque passo a maior parte do tempo fora de Portugal, é com natural isenção que observo tudo o que se passa em meu redor, se calhar de uma maneira que passa despercebida à maioria dos portugueses.

Portugal, como sempre, é um estaleiro em obras permanente. Uma estupidez de todo o tamanho, para um País que se diz viver essencialmente do Turismo. Não há sítio por onde passe que não esteja em obras e com vias cortadas. Terreiro do Paço. Cril. IC19. Segunda circular. Sintra e Pero Pinheiro. Costa da Caparica. Acessos a Almada. Centro Sul. Amadora. Imagino isto multiplicado pelo resto do País.

Não consigo pensar numa razão que leve algum turista a voltar a semelhante estaleiro de construção. Normalmente, fazem-se obras para melhorar. Mas estarão as coisas realmente melhores? Será preciso tanta PUTA de obra por todo o lado? Será preciso eu comprar um tractor JCB para andar por aí? Será isto o desenvolvimento? Poderei eu dizer em breve" Ah, agora sim!"? Será que isto vai ter fim? Será preciso tanto viaduto e pontezinha para o mais simples acesso? Será preciso esventrar uma avenida durante meses para passar debaixo de um acesso local onde passam dois ou três carritos por hora?

O fim de uma obra, apenas marca o início de outra! É assim há anos! A paisagem circundante muda a um ritmo avassalador!

Vejo tudo a mudar: Os acesssos, que no ano passado eram sentido proibido, agora são de dois sentidos. Os que eram de dois sentidos agora são sentido proibído. As ruas que antes só se podiam descer, agora só têm transito a subir. Ou seja, exactamente como estavam há cinco anos... Provavelmente voltará tudo ao mesmo depois das eleições...

Em Inglaterra, um museu de Aviação, tem catrapázios enormes na Auto-Estrada, a explicar onde saír. Em Portugal, temos de andar pelas terrinhas a perguntar aos agricultores onde fica a Base Aérea. Para depois lá chegar e estar o museu fechado para obras! Uma desilusão.

Sei que para o ano provavelmente voltarei, para encontrar mais obras, "melhoramentos essenciais", e mais desilusão. Mais centros comerciais e metros de superfície a passear o maquinista. Mais estádios e auto-estradas. Mais Mercedes e BMW. Mais telemóveis em cima das mesas do café.

No entanto com tanto "desenvolvimento", será que a Vida das pessoas será melhor? Voltará a valer a pena morar em Portugal? Aqui fica a questão...

Monday, 4 August 2008

British Police: Porque não seguimos o exemplo?



A sobrevivência em Inglaterra não é fácil, para cidadãos oriundos de países onde estavam habituados desde sempre circular a cento e sessenta dentro das localidades, e apitar cerca de um décimo de segundo depois do semáforo abrir.
Outrora, actos como perseguir a alta velocidade a um milímetro da matrícula do carro da frente, como que a "ser rebocado" na auto-estrada, circulando com os máximos acesos e o pedal do acelerador a fundo, espumando pela boca por causa do carro da frente ter custado menos uns milhares, e não possuir pelo menos 200 cavalos, estando a cometer o ultraje de circular na faixa da esquerda, fenómeno conhecido por estas bandas por "tailgating", seriam actividades corriqueiras cujas autoridades há muito deixaram de prestar atenção.


Circular com um veículo sem seguro ou inspecção, esperando uma eventual "compreensão" das autoridades no caso de ser apanhado,transformou-se numa espécie de anedota inacreditável, num país onde agora em dois segundos um sistema incorporado nas viaturas e nas ruas chamado Automatic Number Plate Recognition, informa imediatamente acerca da legalidade do veículo. Nem sequer é preciso mandar parar! Será uma questão de dias para que apareça na casa do prevaricador uma multazita automática, ou em caso de falta de seguro ou Imposto de circulação( Road Tax, ou Vehicle Excise Duty),uma grua para levar o carro para destruir!


Resumindo, em português correcto, "não há pão para malucos". A informatização total da base de dados da DVLA,articulada com as companhias de seguros, e fiscalizada por patrulhas visíveis e dotadas de meios técnicos topo de gama, que incluem tecnologia de ponta e helicópteros, não permite a artistas porem o pé em ramo verde.
Claro que estamos aqui a falar de investimento público e sobretudo de vontade política.
O financiamento disto tudo, vem em parte do imposto autárquico mensal ( Council Tax) que todas as habitações pagam. Uma parte é para a Polícia. Não se pode pedir mais aos nossos agentes, se não lhes dermos condições para trabalhar. Por isso, em vez de Fiat Tempra ferrugentos,e Subarus acidentados em perseguições na Vasco da Gama , o Reino Unido tem helicópteros com câmaras nocturnas e Lamborghinis nas estradas. Volvos topo de gama e BMW na pior das hipóteses. A questão não é " se" formos apanhados. A questão é " quando" seremos apanhados.


Um veículo automóvel, não é um electrodoméstico. A desculpa de que " precisamos dele", não pode ser válida para fazer tábua rasa da legalidade e da segurança. Eu também precisava de um Learjet para me levar de vez em quando daqui para a Portela ou para Tires, mas não é por causa disso que vou ao East Midlands Airport e pedir emprestado um. Não deve ser muito diferente de um Piper Cub. Se o meu comportamento ao volante, não fôr o correcto, ou não estiverem preenchidos os requisitos legais para circular, paciência, mas vou ter de ir de autocarro. Não há desculpa para facilitar ao volante. E assim é que é bonito.
É por causa deste modo de pensar, que se calhar não existe a carnificina nas estradas britânicas que estamos habituados em Portugal. Não existem "operações Pascoa", nem " Operações Natal" . Existe uma "operação" permanente, que obriga as pessoas a pensarem constantemente acerca de circular com um automóvel como deve de ser. Ir para um Pub " para os copos", implica compulsivamente alugar um taxi! E as pessoas habituaram-se a isso.

A polícia, ( The Police, como na banda de Sting), aposta fortemente na prevenção e em mostrar ás pessoas que nem sequer vale a pena meter o pé em ramo verde. Em vez do bloco de multas e da continência, mistura-se com os street racers para os tentar perceber. Em vez dos carros "descaracterizados", mete radares fixos de cem em cem metros. Que todos podemos julgar da eficácia, pois transformou o "talho" que era a "pista" da Segunda circular, num cortejo de carros de bois.
A questão da mortalidade nas estradas, não se resolve com operações com um milhão de agentes no Natal,( que se referem sempre a nós como "senhores automobilístas") nem a obrigar as pessoas a irem comprar um colete reflector.


Fala-se na mentalidade que tem de mudar, mas para isso, se calhar convinha começar a bater onde dói mais, Na carteira. Porque aposto que se amachucassem numa prensa um Civic ou um Saxo de um desses imberbes criminosos das zonas industriais, se calhar no dia seguinte os outros iam-se dedicar à pesca. Isto é só uma idéia. Bastava copiar. nem que fosse só em véspera de eleições...

Wednesday, 9 April 2008

Os tractores carregados de tomate do Ribatejo




As autoridades e os especialistas bem falantes que vão amiúde à televisão, além de se referirem a nós pelo termo fatela de "senhores automobilistas", não percebem nada do assunto no que toca a identificar a causa dos acidentes em Portugal.

Muitos apontam o álcool, o excesso de velocidade ou o a idade do parque automóvel como culpados da alta sinistralidade das estradas portuguesas. Nada disso. Querem saber quem são os culpados? São os tractores carregados de tomate no Ribatejo!


Eu explico: Para quem tem a sorte de não ter de conduzir pelas estradas do Ribatejo, é muito fácil simular a sensação de conduzir atrás de um tractor carregado de tomate no Ribatejo: Comece por tapar completamente o pára-brisas com um pano laranja, e em seguida encha o Tablier de tomates. Depois, ligue o aspirador ao isqueiro de modo a fazer um barulho irritante monocórdico. Para finalizar, circule a 21 Km/ h numa estrada de dois sentidos.
Assim, conseguirá ter uma idéia aproximada do que é seguir atrás de um tractor carregado de tomate no Ribatejo. Mas afinal, em que é que isto é perigoso?-Perguntar-me-ão. Até faz com que não haja excesso de velocidade...


Certo. Mas quando o automobilista português ,habituado a circular a cento e sessenta dentro das localidades, e a "mandar faróis" para cima de quem quer que se atreva a utilizar a faixa da esquerda à frente dele, mesmo que esteja a dois quilómetros, fica impossibilitado de ultrapassar um tractor carregado de tomate do Ribatejo ( principalmente por ,no sentido contrário, se deslocarem outros tractores carregados de tomate),acontece uma de duas coisas:
Ou consegue ultrapassar, e fica imediatamente atrás de outro tractor carregado de tomate.
Ou não consegue, e choca de frente contra um tractor carregado de tomate.


Na pior das hipóteses, poderá colidir com alguém que circula em sentido contrário , e que fez uma ultrapassagem desesperada a um tractor carregado de tomate.Os motoristas dos tractores carregados de tomate no Ribatejo desdenham de todos os outros veículos, que circulam alí nas estradas "deles". Por isso raramente fazem sinal para que póssamos ultrapassar. Mesmo quando entram nas estradas, vindo dos campos enlameados, entram nestas como se fossem uma extensão da sua propriedade, não sinalizando e largando matacões de barro no alcatrão, que por si só também originam acidentes.

O motorista do tractor carregado de tomate do Ribatejo gosta de terminar a sua actuação ocupando toda a largura da estrada para fazer a manobra( sem sinalizar) para (finalmente) entrar na fábrica de processamento de tomate. A partir daí, a estrada livre assemelha-se a um autódromo, com a fila interminável de veículos a esgotar as rotações e a ultrapassarem-se como se não houvesse amanhã. Em poucos minutos a fila de carros que sobreviveu ao desespero e aos acidentes, evolui livremente pela estrada estreita.

Não sei se existem outras zonas no país onde circulem estes monstros vagarosos queimadores de nervos, mas penso que não interessa, pois aposto que nas estatísticas, muitos dos acidentes nacionais devem ser nesta zona. Se algum dia eu quiser me deslocar no Ribatejo nem que sejam 20 quilómetros, podem estar certos que farei 180 pela Auto-Estrada se fôr preciso, para ir dar a volta e para não ir atrás de um tractor carregado de tomate. Tenho mais hipóteses de me despachar...e de chegar vivo.

Wednesday, 2 April 2008

Os criminosos da Vasco da Gama

Tudo o que se tem dito acerca desta malta, peca por defeito. Eu não vou estar aqui a acrescentar mais nada a este assunto que de tão debatido caiu no ridículo. Queria só deixar aqui a minha opinião.

Falar sobre "carnificina" e "irresponsabilidade", já perdeu o impacto. Sobre "civismo" e sobre "Educação", faz as pessoas rir. Por outro lado, toda a atenção e destaque que se dê a estes criminosos, só vai piorar as coisas. Vai dar mais alento á chusma de putos de bairros periféricos que vivem em casa dos pais e que nem comem para ter um Civic ou um Ibiza, para pegarem nas rapariguinhas desmioladas e nuns telemóveis e irem tentar a sorte na VDG ( Nome código para a "pista")

A culpa disto, e aqui é que vocês se vão atirar ao ar, é da AUTORIDADES!

Reparem: Será que é muito difícil , numa recta com DEZASSETE quilómetros , inundada de câmaras, aperceberem-se de uma "corrida" e fecharem o transito na outra ponta?

Bolas, eu até tinha tempo de acabar o café com Donuts!

Mas não. Arranjam um oficial penteadinho,com um boné muito bonito, para ir para a televisão dizer que as autoridades não tem o poder da "omnipresença"! Omnipresença? Caraças, isso é uma RECTA! é muito dificil cortar o trânsito numa recta , e apanhar os gajos. E tirar-lhes os carros? E pegar-lhes fogo? E distribuir cabos de enxada pelos automobilistas que viram a vida por um fio para largarem o stress?

Isto só lá vai com poder! Não venham com palavreados caros, e com a mesma conversa da treta! Radares! Lombas! Helicópteros! Multas! Prisão! Carros apreendidos!

Não é com as televisões a irem " À boleia" no banco de trás com os parvalhões. Isso era como seguir um serial Killer por ruas escuras. " Vamos agora ver como ele corta o pescoço a esta vítima..."

Mas para fazer isto, tem de se dar condições a esta camada da população para que possam acelerar em segurança. Eu gosto de acelerar! Podem crer que os grandes progressos da humanidade, nos ultimos cem anos, se devem á necessidade de velocidade. Por isso é necessário ter espaços próprios para acelerar. Mesmo GRATUITOS!

Não podemos olhar para o Estoril como a única hipótese de "apertar" com um carro em segurança. O Estoril é bom para o menino da linha, ou do privilegiado do papá de Cascais. O Estoril , é uma carga de trabalhos para lá ir, parece que a pista é de ouro. O Carlos e o Tó de Santa Iria, precisam de uma pista também. Tem de haver uma pista no Montijo, e outra em Sacavém! E outra em Santa Iria!
Conforme existem os parques de skate e de baloiços. Existe muito mais interessados em ter uma pista local, camarária, do que putos com um skate. Ou de um clube de futebol em Alguidares de cima com vinte pessoas a assistir, e que não passa da quarta divisão regional. Fazer uma pista é fácil e barato. Bastava terraplanar e um pouco de alcatrão! Aproveitar um excerto de estrada qualquer e fechá-lo ao transito. Para uma boa causa, e para fazer as pessoas felizes.Fazer clubes locais.Isto era votos em caixa!

Em Inglaterra, existem pistas e autódromos por todo o lado e feitio. Gratúitas, ou com preços acessíveis. Isso, aliado a uma repressão fortíssima e ficaz, resulta num descanso.Vou acelerar que nem um desalmado para a pista, como se o mundo fosse acabar amanhã, mas passo a semana a andar nas calmas. RESULTA. As imagens de Portugal, mostradas por aqui aos ingleses, são uma VERGONHA para o nosso País. Uma vergonha. Nem acredito no que vejo!

Continuem assim, que vão por um lindo caminho...Arranjem é mais agências funerárias...

Friday, 28 March 2008

A venda da Land Rover ao grupo Tata.

A Land Rover tem dado lucro,mas o lote da venda inclui os problemas financeiros da Jaguar . ( Sim, sou eu a guiar! Sempre quis passar por cima de um camião!)

Más notícias para quem anda com o peito cheio de ar porque tem um Range Rover parado à porta do prédio: Em breve, o objecto para que foram sobreendividar-se junto do gordo da Cofidis, que bem os enganou brandindo um molho de notas decoradas com um sorriso fácil,vai ser conotado com aqueles triciclos laranja de dois tempos pintados à mão e que servem de Taxi em Calcutá: Os "potentes" Bajaj"!


Ratan Tata, dono da empresa que pretende lançar para o mundo o novo Austin Seven sob a forma do curioso Nano, deu um bilião de Libras pela empresa.( Porque não me refiro ao "carocha", ou ao Mini como carro do povo? Porque primeiro, a "panela de pressão " do Hitler, foi copiado na integra do Tatra Tatraplan Checo, e se mérito houvesse , seria para o bólide de Ledvinka .E o mini, apenas foi uma reedição do primeiro carro efectivo do povo, o Seven. Batam com a cabeça nas paredes,mas as verdades têm de ser ditas... )


Como "oferta", Tata recebeu uma empresa que também andava desorientada e pelas ruas da amargura, tentando equilibrar-se financeiramente. O Jaguar XF, que experimentei em Coventry o mês passado, é um um carro muito competente que ostenta o "gato" à frente, mas não consigo deixar de sentir que estou num Mondeo.


Aqui nas Midlands, a "conversa de Pub", diz que bem podemos esperar Discoveries com painéis de plástico das garrafas de água, e farolins traseiros que ficam baços passados dois meses. Mas nada a que já não estejamos habituados.
Esta operação de compra, demonstra uma tendência crescente dos mercados asiáticos em adquirir e controlar marcas de prestígio europeias. Um indicador de que o poderio mundial financeiro e económico, irá a breve trecho migrar para aquelas partes do globo. Dotados de mão-de-obra extremamante barata e de capacidade financeira, os mercados asiáticos irão dar cartas no Sec.XXI, cilindrando os mercados tal como os conhecemos. Isso será bom? Será mau?
Não sei. Mas há que nos prepararmo-nos mentalmente para guiar carros produzidos a 20 Euros, vendidos por 1000, e com um gato feroz em pose de ataque no capôt. De poliuretano.


Saturday, 22 March 2008

A nova pista de testes do Sala das Máquinas




Esta pista pertencente a um clube local perto de Lichfield, pode ser requisitada como se fosse um campo da bola dum bairro qualquer, em que se tem de ir pedir a chave à junta de freguesia.

" Depois feche e traga cá a chave!"

Isto para uma pista de automobilísmo, senhores! E há mais , espalhadas por toda a Inglaterra. Escolhi esta porque é próximo , e dá mais jeito.

O automobilísmo em Inglaterra não é para elites e endinheirados, mas sim para toda a gente. Ter um carro potente e um pista, é como ter uma bola de basket e uma cesta .

God, I love this country!
Já agora, eis o "bicho" com que eu estive a testar este meu novo "parque de diversões...



231 cavalos, em menos de 400 quilos de peso. Basicamente, é como atar um míssil a um balde do lixo! Em breve, num quiosque perto de si...




Sunday, 16 March 2008

Autotesting-Vamos desenvolver esta modalidade!



Muitos encaram o "Autotesting",( ou as "perícias", em linguagem nacional) como um mero acto de fazer uns piões com um MINI todo descascado à volta de uns "pimenteiros". Por isso, esta modalidade não é encarada como algo "sério", no meio automobilístico.

Nada mais injusto e errado.

O "Autotesting" é uma modalidade que privilegia a perícia do condutor, em vez da velocidade. Esta é uma modalidade que , com fracos recursos, permite o acesso ao desporto automóvel por qualquer um de nós, e proporciona momentos de grande entertenimento e adrenalina tanto para pilotos como público.

O "autotesting",graças á suas características, não precisa de espaços próprios como autódromos ou troços, e pode ser praticado em pequenos recintos, mesmo cobertos,parques de hipermercados, parques de estacionamento,ou ruas fechadas ao transito.

Esta modalidade consiste em efectuar um número restrito de manobras cronometradas, em que a perícia e mesmo a memória dos pilotos são postas duramente à prova. As classes variam consoante a dimensão e potência dos motores, embora a classe dos "Minis" seja a preferida por permitir melhor mobilidade.

Qualquer tipo de carro pode ser utilizado em "Autotesting", desde Minis,Fiestas,Anglias,MGs, Corsas,Ax,Buggies,ou protótipos construidos de raiz. Os encontros e provas demonstrativas realizam-se em terrenos relvados, mais "suaves " para as transmissões e para as suspensões, embora as provas oficiais sejam praticadas em asfalto.

Desde os 14 anos de idade que se pode começar a praticar esta modalidade federada, e grandes nomes do mundo automóvel como O saudoso Colin Mcrae, ou Stig Blomqvist começaram as suas fulgurantes carreiras com esta modesta e acessível disciplina do automobilismo.

Interessa, é não sobrecarregar,como de costume, esta acessibilidade com federações, regulamentos, inscrições,taxas, blablabla, que os "engravatadinhos" gostam de criar para justificarem os tachos e matarem a iniciativa das pessoas. Em Inglaterra, basta uma inscrição na Net, uma prova de aferição...e ala, toca a ir arranjar um "carrito" para surpreender as multidões desejosas de ver-nos a evoluir aos fins de semana junto a um centro comercial, ou numa rua central fechada ao trânsito.

Outra função desta modalidade, é uma função social. Graças a estes abundantes encontros e provas locais, os "putos da Vasco da Gama" podem despejar a sua testoesterona e provar que de facto têm "mãozinhas" de um modo perfeitamente seguro e legal, sem terem de andar a matar inocentes nas auto-estradas e zonas industriais. E ainda são imensamente aplaudidos!

Mas isto é só a minha opinião, o que é que eu percebo disto...

Wednesday, 20 February 2008

Guiar do avesso!

Muitos de nós, pensamos que guiar em Inglaterra é apenas questão de pôr o carro na outra faixa e pronto. Já ouvi dizer até que "em Inglaterra, já há muitos carros de volante à esquerda."E mesmo que " isso estava para acabar..."


Por Mike Silva


"Os ingleses fazem tudo ao contrário"! Apressamo-nos a sentenciar, como se os Metros, os Kilometros, os Litros e andar do lado direito da estrada tivessem sido inventados algures em Lisboa.
Infelizmente, a revolução industrial surgiu por estes lados, e as Milhas ,Gallons,Inches,Onces,Stones,Pounds,Feet,etc já andavam por aqui há muitos séculos. Mais concretamente, o circular do lado esquerdo da via, teve como origem a necessidade de o cocheiro não atingir os transeuntes com o chicote, quando "acelerava" o cavalo. Mais tarde, com o advento da era motorizada, os veículos continuaram a adoptar esta regra.

Alguns paises como a Suécia, converteram-se para volante à esquerda,e apesar de associarmos este tipo de condução com Inglaterra, muitos paises como Japão,Austrália, Indonésia, Malta ,India,Barbados,New Zealand ,Irlanda ou alguns africanos continuam a usar o volante á direita. Praticamente, não existe nenhum fabricante mundial de renome que não disponibilize modelos com volante à direita.

Para "enervar " 0s nossos amigos ingleses, sempre que no meio de um jogo de snooker ou de setas num pub surge a discórdia, podemos sempre dizer que os portugueses guiam no "right" ( certo) side of the road. Ou que guiar á direita é "anti-natura",porque temos de manusear a alavanca de velocidades , o travão e a consola com o rádio e o AC com a mão esquerda. Mas não convem dizer isso se eles tiverem setas na mão...

Ao acedermos a um carro pela primeira vez, aquele sentimento de " Ora, não deve ser assim tão dificil..." é violentamente destruido, a partir do momento em que nos sentamos no lugar do "pendura"!...E saimos envergonhados,quando descobrimos que o volante está do outro lado. Mesmo passado um ano, é para o lado do pendura que ás vezes nos dirigimos, disfarçando com uma longa volta pela frente do carro, para a malta não se rir.

Uma vez aos comandos, esfregamos vezes sem conta os punhos no forro da porta a tentar engrenar uma velocidade. E abrimos o vidro do pendura para tirar o ticket nos parques . Depois vem a "odisseia das rotundas. Feitas no sentido do ponteiro do relógio, desta vez são os carros que estão por DENTRO da rotunda que têm prioridade para sair, pois a prioridade continua a ser á direita. Para "facilitar" ainda mais, cada aproximação a uma rotunda é diferente de todas as outras, com indcações diversas impressas no pavimento. Não há duas rotundas iguais.

Estacionar em contra-mão, e em plena faixa é perfeitamente legal, pois não é permitido usar o passeio. Por isso, a "cacetada" é regra. Carros com a traseira arrancada por um Doubledecker são visões banais. Citroens C3 são espalhados pela via pública, de um modo que se podia enviar peças pelo correio, por terem sido abalroados por um TIR enquanto a senhora ia á loja da fruta.

O condutor ingles é muito comodista. A unica diferença do condutor ingles e do portugues, é que o portugues anda " á vontade". Muitos reformados ingleses compram carinhos eletricos para poderem entrar nos hipermercados e fazer compras sem se levantarem do assento! Em Portugal, é normal circular a cento e sessenta dentro das localidades, mas em Inglaterra, de cem em cem metros temos rotundas, lombas, camaras,radares, carros patrulha,medidores de velocidade média, avisadores luminosos,semáforos, carros à civil, carrinhas de vigilancia, Helicópteros , e postes com Camaras de vigilãncia. É virtualmente impossível meter o " pé em ramo verde". para aqueles que quiserem tentar a sorte, estão disponíveis pontos na carta e multas pesadas.

Por isso a malta anda com juizo. Um "desastre" em Inglaterra, é uma coisa rara, alguns abalroamentos de C3 mal estacionados, mas é só. Existe o "mito" de os carros pararem para dar passagem aos peoes. Se acreditam nisso, convem trazerem uma cadeirinha,pois estes stressados só param em passadeiras com riscas. Existem passadeiras sem riscas, as chamadas "Pelican crossings", onde podemos gozar a sensação de ser abalroados por um carro.

Centros comerciais? Parece que andou um gajo com uma fita métrica a desenhar as linha de modo a que ficasse apenas um centímetro de cada lado para abrir as portas.Os passageiros tem de sair antes de estacionar, e o condutor tem de amolgar a porta do carro do lado para conseguir abrir a dele. Parqueamento gratuito, é ficção científica, e fortemente vigiado. Mesmo um deficiente que não tenha o distico emitido pela camara municipal, terá o seu carro imediatamente rebocado se estiver num local para deficientes.

Não se pode fazer matriculas sem os documentos, ultrapassar carros de Policia, nem fazer todo o terreno, sem ser em pedreiras e terrenos particulares.

Mas podem-se rebocar carros á corda, não há coletes nem triângulos,não se controla o alinhamento da direcçao na IPO, e pode-se usar um pneu de cada nação. Pode-se construir um Fiat 126 com um motor duma Hayabusa e ir legalizar. Ou uma Ford Transit com um V8. Ou um triciclo com um motor de um M3. E comprar uma mão cheia de clássicos, por meia dúzia de tostões. E isso só pode ser bom, não é?

Friday, 8 February 2008

As novas "leis" para os clássicos

Fartos de ver entrar pela porta dentro enchentes de carros "velhos"com meia duzia de anos, restos de paises desenvolvidos onde um chefe de família pode adquirir um carro "como deve de ser", mas que ainda podem ser vendidos por uns tostões a quem queira mostrar um "BM" aos vizinhos, o Governo lançou umas leis que podem cercear a liberdade de adquirir um veículo clássico no estrangeiro.

Este "ataque", surge na senda de outro duro golpe desferido ao proprietário de motorizadas, ainda não refeito de ,de repente ter sido espoliado da propriedade dos seus motociclos. Eu tenho algumas motorizadas há anos, e agora de repente,porque estou aqui a 2500 Km de Lisboa estão "ilegais", e tenho de pagar "multa" por não as ter registado. Coisa que já tinha feito quando as comprei. Mas eu já sei como lidar com isso á boa maneira portuguesa, e mais não digo.

Entretanto, parece que a DGV também mudou de nome. O costume! O experiêncialísmo inconsequente ao serviço de tornar a vida dos cidadãos mais complexa e dificil. Em Inglaterra, a DVLA sempre foi a DVLA, e o modo de tratar do registo de um veiculo sempre foi o mesmo desde há cinquenta anos. Não existem tipos de mãos nos bolsos com casamentos frustrados a tentar justificar o chorudo ordenado. Não há nada para "inventar". Já está tudo "inventado".

Por outro lado, a conversa nos cafés está ao rubro! Os "especialistas", desfazem-se em abanares de cabeça, assegurando que "isto agora" vai ser assim e assado. Pondo um olhar sério, falam de um modo que parece que finalmente as coisas vão entrar nos eixos, e não há "pão para malucos!"

As pessoas que sempre quiseram ter um veículo clássico, encolhem os ombros, e procuram nas páginas do "CM" um AX ou um Ford Fiesta velho sofregamente, pois com a "impossibilidade" de trazer carros do estrangeiro, estes modelos serão os próximos a ser alvo de cobiça.

Enquanto o Manuel do Cacém vê uma "oportunidade" de vender um AX por quatrocentos contos, e o dono de uma carroçaria de um Fiat 600 pôdre a põe á venda por 1000 contos, eu lembro-me com saudade do burburinho que as inspecções fizeram nos anos 90....

" Isto dos clássicos encosta tudo! " -Diziam os "especialistas"...- " Nas inspecções, há uma máquina que espeta uns ferros por baixo do chassis, para testar a ferrugem." . " Os carros são passados ao raio X"..." " O governo vai acabar com os carros antigos". " Isso acabou!"...

O tempo encarregou-se de demonstrar que afinal, nos poucos casos em que as inspecções são feitas sem fraude, estas serviram para melhorar o processo de manutenção a que os carros estavam sujeitos, e em suma melhorou o parque automóvel.

Acredito sinceramente que o Portuga, saiba contornar o assunto e levar água ao seu moínho. Isto é passageiro. Em breve, conscientes do que se "pode" ou não fazer, os veículos clássicos voltarão a jorrar pela torneira de Vilar Formoso adentro, desfilando com graciosidade perante burocratas impotentes que se lançarão de novo sobre as secretárias para tentar um modo de tornar a vida às pessoas mais difícil.

Mas então o meu amigo não terá que se preocupar, pois já estará ao volante de um clássico de renome, com lugar na Historia, e que custou o mesmo que o Zé Carlos deu por uma bicicleta ferrugenta na Automobilia de Aveiro.Isso de "Já não valer a pena" ir ao estrangeiro buscar clássicos, só vai fomentar a ganância de quem tem uma porcaria de um carro todo ferrugento para vender ,em vez de um genuíno interesse de recuperar o nosso espólio nacional .

Ponham isso na cabeça de " não vale a pena trazer carros do estrangeiro", que aí é que vão ver como é que elas vos mordem...preparem 300 contitos para uma bicicleta ferrugenta...

Thursday, 31 January 2008

Cortesia ao volante: A um passo da felicidade

Todos nós gostamos de quando um carro abranda para nos dar passagem. Com um breve aceno ou um ligar fugídio dos quatro piscas, agradecemos a essa alma que permanecerá no anonimato para todo o sempre. Nunca mais teremos chance de um dia o convidarmos para um café, e dizer : "Obrigadinho por me ter deixado passar naquele dia".

Mas os ganhos sociais são imensos. Por momentos, interrompemos os nossos pensamentos para , subliminarmente concluirmos que a esperança e as coisas boas ainda existem. Que nem tudo está assim tão mau. Que por breves nanosegundos, encontrámos uma alma que esteve em sintonia com as nossas dificuldades e fez algo para mudar isso.

Por outro lado, a pessoa que deixa passar, não espera por esse tal cafézinho, embora secretamente o anseie se por acaso o carro que deixou passar foi um descapotável com uma loura ao volante. Fica apenas com a boa sensação de que , como pessoa, é capaz de proporcionar bem estar.

Isto pode parecer filosofia ensaísta inconsequente, mas se pensarmos que passamos uma importante parte do dia ao volante, e se multiplicarmos isto por um sem número de oportunidades em que podemos escolher o nosso comportamento, se calhar interessava pensar um bocado acerca do que é que podemos ganhar em sermos cortêses ao volante.

O aceno vigoroso seguido de um acender de máximos de um camião da TIR que lutava por inverter a marcha numa rua movimentada, graças a termos parado e bloqueado o transito nessa faixa, são um bálsamo poderosíssimo que podemos guardar durante todo o dia. O melhor reconhecimento que podemos ter, é sabermos que fizemos algo de útil para outrém.

Receio que estas palavras ecoem na cabeça algo perturbada de, por exemplo, um proprietário de BMW. Os proprietários de BMW, são por definição indivíduos egocêntricos que na incapacidade de se destacarem pelos seus actos, tentam fazê-lo exibindo aparelhos de lata e plástico futurísta estupidamente caros fabricados na Alemanha com componentes indianos.

O proprietário de BMW e afins (PBMWA), só precisa de uma mão para guiar, porque a outra está permanentemente ao télemovel. O PBMWA, pensa que o respeito é unilateral e convergente á sua pessoa. Como se respeito e poder se pudesse comprar na Baviera. O PBMWA, enerva-se solenemente por o progresso andar a passo de caracol, e ainda não ser possível guiar sem olhar para a estrada, e o carro não travar sozinho.

O PBMWA, quando atropela uma criança ou um idoso, por circular a cento e quarenta pelo meio de Campo de Ourique, ainda demora uns minutos para sair do carro, pois está a terminar uma chamada. O PBMWA, enerva-se solenemente por toda a gente utilizar a via pública, especialmente camioes, pessoas , bicicletas, autocarros, e motos. E carros mais baratos. Basicamente, o PBMWA julga que a soma astronómica de dinheiro com que foi roubado a sangue-frio, quando adquiriu o automóvel, lhe dá plenos poderes e direito de aquisição sobre todas as faixas da esquerda em Portugal. Garante que isso deve estar escrito em algum lugar dos papeis que lhe deram no stand...

Todos nós , quando não somos corteses ao volante, somos como os PBMWA: Uns frustrados malcriados egocêntricos e perigosos que nunca hão-de ter paz de espírito. Dormem com o "Blutute" na orelha, e tudo. Não tomam banho, porque isso os faz perder tempo.

Os ganhos estrondosos em termos de bem-estar e de sentirmo-nos realmente como parte de uma sociedade que procura um amanhã melhor, tem de ser experimentados, para serem percebidos. Amanhã, quando vir aquele Corsa velhinho a tentar sair da praceta, ou um puto a tentar atravessar a estrada para ir para a escola, dê-lhe uma hipotese! Verá que o seu dia vai correr lindamente...

Se vir um BMW, ignore e acelere! Ele faria o mesmo! Deixe -o lá ficar a enervar-se mais um bocadinho.

( Dedicado ao estúpido que em 02 de Agosto de 2007, por volta das dez da manhã, se despistou em Campo de Ourique ao volante de um Série 3 preto , enquanto atendia uma "chamada importante", atropelou duas pessoas, e destruiu uns carros estacionados...)

Comendo triângulos

Esta é uma homenagem a uns certos utilizadores da estrada algo incompreendidos e quase sempre esquecidos...



O dia começa quase sempre muito antes de toda a gente. Dia após dia, os motoristas profissionais são largados em "território inimigo " a contra-relógio, tripulando aparelhos com largas centenas de milhar de quilómetros e feridas de "guerra" na carroçaria.

Dia após dia, estes veículos não conhecem o significado de circular prudentemente, pois algures, alguém está á espera de algo, urgentemente. Sejam medicamentos, fruta, assistência , ou peças. As mudanças de velocidade assemelham-se a bastões brandidos pela Polícia numa manifestação, com movimentos repentinos e brutais. Há que conseguir colocar -nos antes do AX guiado pelo idoso, para poder chegar ao outro cruzamento antes que o sinal feche.

Como mesa de escritório, um empoeirado tablier marcado com pegadas dos ajudantes de motorista, aprendizes de palavreado foleiro de um qualquer Fernando Rocha, e jornais velhos comprimidos entre o pára-brisas. O rádio, a debitar uma estação qualquer ao calhas, daquelas que passa a mesma música de dez em dez minutos, perde sinal no túnel das Amoreiras. Para ressuscitar de novo frente ao Marquês, com um cantarolar piroso da Romana.

Estes veículos não têm conta-rotações, porque seria demasiado doloroso assistir ao destruir sistemático da mecânica. Mesmo jovens furgões de matricula actualizada, qual meretriz tailandesa, apresentam já marcas indeléveis de abuso e brutalidade por todo o corpo.

Reféns de horários apertados e rídiculos, os motoristas profissionais desdobram-se em proezas perigosas sustentadas por estúpida e inexplicavelmente potentes e velozes furgões. Ninguém consegue "competir" com um desses novos macro-furgões , esses gigantes brancos propulsionados por nitroglicerina que são as Sprinters, numa auto-estrada. A Brigada de trânsito deveria de adquirir Sprinters, em vez dos "lentos" Impreza...

O motorista é uma pessoa sozinha e solitária. Muitas das vezes, nem parar pode, devido aos horários, e engole em andamento um desses triângulos a que ternamente chamam de sandes, das áreas de serviço, regada por um refrigerante qualquer, e umas batatas , que se acabam sempre por espalhar no banco do pendura. Chamadas da Natureza, são resolvidas com recurso a expedientes pouco narráveis , em fracções de segundo, pois pode aparecer alguém.

O telemóvel, esse monstro doentio que sequestra a nossa paz, toca de cinco em cinco minutos, apesar de quem telefona saber que é proibido atender em andamento. Mas tudo é mais importante do que a Lei, desde alfaces a discos de embraiagem para entregar em Loures. Por isso, o motorista entra na era da ficção científica adquirindo um desses auriculares pirosos que "enche" a orelha toda com cromados e luzinhas, a que chamam de "Blutute". Genuínamente, pensa que a sua imagem e Sex-appeal saem melhorados por pendurar aquela parvoíce na orelha.

Em manobras capazes de fazer Fernando Allonso deitar as mãos à cabeça, embates violentos são evitados no último segundo, seguidos de um insistente espasmo muscular sobre a buzina, acompanhado por adjectivos pouco sociais gritados pela janela, ou por movimentos utilizando os dedos. E a rádio interrompe a Monica Sintra para dar as notícias, de que os impostos vão subir, e o poder de compra baixar. Entretanto as embalagens vazias dos triângulos, são atiradas para o chão lado do pendura.

No final do dia, há que esquecer a celebração de ter escapado ileso, e procurar desafiar o trânsito de hora de ponta, para finalmente voltar a casa. Cedo, bem cedinho, o motorista profissional terá de pegar no seu Spitfire urbano, e ir combater uma batalha que lhe permita conquistar um mundo melhor .

Wednesday, 23 January 2008

Imaginem um país onde...

...uma pessoa que queira adquirir um automóvel, clássico ou não, encontra preços justos e adequados, transferindo a propriedade dos mesmos gratuitamente em menos de duas semanas. Um país onde não se circula a cento e setenta dentro das localidades, e onde não se apita passados dois centésimos de segundo após abrir o Semáforo. E onde sinais de luzes,constantes, apenas significam "avance,amigo!", em vez de um Burgessomobil ( BMW) a "amandar" faróis na Auto-estrada, porque a faixa da esquerda " é dele".

Um país onde podemos colocar película escura nos vidros, rebocar carros á corda, sem triângulos nem coletes reflectores , colocar motores Jaguar V8 em Ford Transits, fazer o que nos der na cabeça desde que tenha rodas,sem que isso origine acidentes,havendo uma sinistralidade baixissima. Onde por dá cá aquela palha podemos reunir os amigos e ir "apertar" com os carros para um autódromo de renome,próximo de casa, e por meia dúzia de tostões, em vez de nos tornarmos criminosos irresponsáveis na ponte Vasco da Gama.

Um país onde "ir para os copos" significa imediatamente alugar um táxi, ou uma limousine. Onde as pessoas não estacionam nos lugares dos deficientes" porque sim", e onde as pessoas batem nos vidros de carros que estão a estacionar a oferecer o talão do parquímetro porque se vão embora.

Um país onde ir a um centro de inspecções, é um acto amigável, sem suspeitas de favorecimento e corrupção, onde o técnico nos informa cordialmente o que temos de fazer para resolver a avaria ou defeito que originou a reprovação. Um país onde a Polícia não nos cumprimenta militarmente com óculos escuros e pose de Gestapo, pedindo " Os documentos da viatura", porque não precisa.Tem um sistema" ANPR", que em milésimos de segundo analisa a legalidade do carro. Num dos rarrissimos casos em que os policiais se dirigem a um automobilista, é com uma simpatia e educação a toda a prova. " Mr Silva, sorry to disturb you, but did you noticed that your Nearside rear sidelight has gone off?" Como consequência, existe um sentimento generalizado que nem sequer vale a pena tentar pôr o "pé em ramo verde".

Um país onde frequentar encontros de clássicos significa trazer uns "Tupperwares" e fazer um picnic á moda antiga, entre Jaguares e Minis. Gratuítamente e na relvazinha, ao fresquinho. Sem pagar somas astronómicas de inscrição . Não num restaurante com quatrocentas pessoas á espera uma hora para serem servidas, divididas em "grupelhos" da marca. A mesa dos "Jaguares", a mesa dos "MG", e ali pró fundo, os gajos dos "mini"...

Desisti de ir a certos encontros portugueses, quando me começaram a exigir mais do que o valor que paguei pelo carro, por um simples dia de "concentração " . Uma pessoa restaura o carro, gasta o dinheiro, gasta gasolina, e depois ainda tem de pagar para ir a um encontro...E depois a "organização " é que está de parabéns...Mais vale gastar o dinheirinho a ir com a familia e os putos comer uma "ganda" caldeirada a Peniche...

Imaginem um país, onde os vizinhos dizem-nos com muito pesar, que não sabem o que hão-de fazer para retirar um Jaguar XJS V12 da garagem que pertenceu ao avô, porque o reboque fica muito caro...E não compensa! Se nós sabemos de alguém que o queira ...

Um país onde não corremos o risco de ter de dar mil contos por um Mini ou um Renault 4. Ou por um Carocha. Onde pelo preço de um Opel Astra velho podemos aceder a carros da esfera do sonho. Não apenas a bicicletas ferrugentas.

Não é preciso imaginar muito...basta vir passar uma temporada ao pais dos autocarros vermelhos de dois andares e do Big Ben...E imaginar que a vida poderia ser assim...