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Friday, 25 December 2009

Bom Natal,como antigamente...


Hoje vivo num país onde a noção de Natal está bastante deturpada. Natal para esta malta, significa andar a correr feito tonto desde Setembro de loja em loja às compras.

Os mais "tradicionalistas" ainda percorrem os supermercados em busca de perús inteiros para depois lhes retirarem as entranhas e forrarem o bicho com fiambre e carne assada. Mas quando se pergunta " E mais?",poucos conseguem dizer mais do que " deitar as embalagens vazias para o lixo no dia seguinte", ou ver filmes repetidos na Televisão.

Muitos têm uma vaga noção de que o Natal é uma festa religiosa, mas depois ficam mesmo de boca aberta, quando lhes dizemos que o único símbolo que conhecem, o Pai Natal ,é um velho gordo suspeito vestido de vermelho que usa mão de obra infantil e apenas trabalha uma noite por ano a introduzir-se ilegalmente em residências e a beber ginjinhas inventado pela Coca-Cola nos anos 30. Empurrado para a nossa cultura por doses maciças de filmes americanos parvos repetidos,engolímos o Pai Natal goela abaixo, regado com Coke, sem podermos vomitar.
Ninguém ainda explicou aos parvos dos putos, como é que um gordo entra chaminé adentro , em casas que nem sequer têm chaminé, sem se sujar de fuligem, bebe bebidas alcoólicas e tripula um aparelho que desafia a gravidade e é mais rápido do que o Concorde. Não ajuda também o fulano magrinho com barba a caír no centro comercial a dar balões e panfletos de ofertas do Oculista.

No entanto, se bem se lembram, Natal era o menino Jesus e presépios. ìamos apanhar musgo para fazer um presépio numa base de madeira com terra,barro e jornais. Os bonecos do presépio duravam anos, embora já faltasse a cabeça a um dos reis magos, e São José estivesse pintado com canetas de feltro pelo puto mais novo. As ovelhas pareciam mais câes perdigueiros malhados, com as cabeças roídas e gastas. Num Natal, os pais do Joaquim até puseram um comboio elétrico no "display", e toda a malta da rua era convidada para ir lá a casa ver. Eu quis copiar e fiz um com bonecos de plástico de guerra, e tanques. Mas a minha Mãe disse-me que não era propriamente um tema natalício, ter nazis de plástico emboscados num monte brandindo granadas contra o estábulo do menino Jesus. Que servia de barricada a um Panzer e um jipe. À meia-noite ,depois da consoada íamos à igreja ( de motorizada) e abríamos as prendas no dia 25 de Manhã. Por entre as meias da Avó e lapis para pintar oferecidos pela vizinha, era sempre um gosto receber carros de corrida de plástico que depois iam competir com os carros de corrida de plástico que os meus amigos recebiam no Natal.

Mas lembro-me da alegria que era o Natal, em tempos que não havia muito dinheiro e centros comerciais eram ficção científica. Desejo-vos hoje essa mesma alegria, e que transmitam aos vossos filhos a alegria do Natal, que não se mede em valor das prendas, mas sim em momentos partilhados e memórias a recordar para o Futuro. Feliz Natal, como antigamente...

Monday, 7 December 2009

Mike Silva doa receita de livro para jovem entre a Vida e a Morte

Mike Silva autografando um dos exemplares de "A´procura do Amanhã". O autor doou toda a receita obtida na festa de Wrexham. A generosa comunidade desta cidade do País de Gales respondeu ao apelo e conseguimos juntar 220 Libras. Mas é preciso mais...


Hoje não vou falar sobre carros. Vou falar sobre o Fábio Tamiça, um amigo nosso de 23 anos que veio para Inglaterra tentar uma Vida melhor, e de momento está preso a uma cama , necessitando de uma operação urgente ao cérebro. Tem a vista parcialmente afectada, e o desespero a apoderar-se da alma de todos os que lhe são queridos e estão ao seu redor.


Pensamos sempre que o mal só acontece aos outros. Às vezes pensamos que temos problemas.A Família do Fábio desesperada por não conseguir obter um crédito, escreveu à Presidência da República a pedir ajuda, e recebeu um "Não temos dinheiro" de um organismo que tem a garagem cheia de Mercedes e BMWs. A Presidência da Républica remeteu esta família desesperada para a Secretaria de Estado das Comunidades, que nunca mais disse nada e como qualquer organismo público português que se preze , se esteve marimbando para o assunto.
Emigrantes, só interessam quando há eleições...
A Família escreveu também para programas de Rádio e Televisão, e compreensívelmente estando todos a braços com inúmeros pedidos de auxílio semelhantes , apenas Manuel Luis Goucha respondeu,prontificando-se para ajudar. Obrigado, Manuel.


A bola, está do lado da comunidade portuguesa em Inglaterra. Na qual, eu orgulhosamente me incluo. O jornal " As Notícias", o único média português publicado no Reino Unido, associou-se a este apelo, e criou a campanha " Uma Libra para o Fábio", em que basta um décimo dos leitores passar no Barclays e depositar uma Libra, para que o Fábio consiga as 10 Mil Libras necessárias para ir à Moldávia efectuar esta operação junto de um especialísta de renome com elevada taxa de sucesso nestas operações.


Não sabemos o desfecho que isto pode ter. Eu como não consigo parar de pensar em maneiras de ajudar esta família, decidi doar toda a receita dos exemplares de " À procura do Amanhâ" que conseguir vender nos próximos tempos. No passado Sábado, na Festa da comunidade portuguesa em Wrexham, consegui angariar 220 Libras ( Cerca de 250 Euros) com isto, que imediatamente depositei na conta desta família. Espero que consigamos reunir a comunidade portuguesa em redor desta ajuda, para demonstrar que afinal, quando queremos,podemos fazer a diferença.


Para quem viver no Reino Unido, e quiser doar alguma coisa, passe pelo Barclays e deixe lá qualquer coisa, o que puder dar. As finanças da malta não andam grande coisa com o Natal, mas com boa vontade sempre se arranja alguma coisa. Não sei se existe conta em Portugal. Está aqui o link da notícia, se estiverem interessados:




A conta é : Barclays 40843040 Sort Code 20-67-37
Quem dá aos pobres e necessitados, empresta a Deus.Força Fábio. Havemos de conseguir...

Tuesday, 12 May 2009

Mike Silva publica livro sobre o Reino Unido



Como sabem, não encontrei tela para pintar o meu quadro em Portugal. Só os incorrigíveis perseguidores de sonhos sabem a falta de ar que é, querer fazer uma coisa num País, e apenas obter em troca uma chuva de papéis, indiferença, dificuldades e opiniões que nos empurram permanentemente para o aconchego da medíocridade.

Ir para o Estrangeiro, não pode ser só acerca de ser coitadinho e de ir lá para fora ganhar a Vida.Não. O Estrangeiro por toda a História da Humanidade, tem sido o terreno ideal para dar espaço ao indivíduo que procura fazer algo de válido e interessante com a sua Existência. Ir para o Estrangeiro, não pode significar sempre estar à espera de quando é que o próximo artista pimba vai a Londres tocar para as comunidades, ou dormir mal a pensar onde é que se pode instalar a "Sportêvê" e beber uma Sagres.Estar no Estrangeiro, no meu caso, em Inglaterra, significa também aproveitar a oportunidade que caíu no nosso colo, na nossa realidade, nas nossas vidas, de conhecer uma sociedade diferente e desenvolvida, e tentar perceber em que medida esta nos pode ajudar a providenciar o recomeço de uma folha em branco que sempre desejámos para nós.

Insistir em moldes escusados de vida, que nunca nos trouxeram nada de novo, é uma vez mais a receita para entrármos de novo no jogo a perder, como sempre fizémos.É uma vez mais a resposta incapaz aos nossos anseios e mais um destruir de uma oportunidade. De Ouro. É voltar para dentro do barril de onde fomos tirados quase a sufocar. É apanhar um taxi para casa, e regressar a pé ao local de partida.Este é um trabalho acerca de Esperança, e de teimosia em perseguir os sonhos e fazer as coisas de maneira diferente. É acerca de não baixar os braços.

O lançamento oficial deste trabalho de Mike Silva, está agendado para Agosto em Portugal, num evento sobre o qual serão dados mais promenores assim que possível.


Orientado em crónicas de leitura fácil, nem sempre de um modo pacífico ou políticamente correcto, espero que este tema lance algumas luzes para quem tem o Reino Unido no Horizonte, para quem acha que está na altura de dar um murro na mesa, ou apenas para quem tem curiosidade sobre o tema."À procura do amanhã: Crónicas de um português no Reino Unido,da Editora Tecto de Nuvens está disponível no seu site
ou no site da Wook em



Obrigado a todos aqueles que me moeram a cabeça desde o princípio a dizer que eu era capaz de levar este projecto para a frente. Tinham razão. Obrigado aos outros também, que são sempre necessários, sim senhor, para nos dar aquela " raivazinha" de estimação para continuarmos .


Este trabalho é dedicado a todos os incorrigíveis perseguidores de sonhos que ainda arranjam forças para acreditar.

Saturday, 10 January 2009

Reflexões sobre Portugal: Um passeio no Tejo

Construído em Aveiro, São jacinto...410 cavalos de potência...Não durmo em serviço!...

( Foto: Mike Silva)


Como gosto de dar um saltinho a Portugal no início do Ano! Não no Natal. Não na passagem de ano. No início do Ano. Fico a salvo das "operações " da brigada de trânsito com 10000000 de agentes nas estradas, e dos programas de fim-de-ano. Fico a salvo das perguntas " então, já vieste de vez",porque essencialmente apenas vou numa visita " higiénica" de um fim-de-semana, para não me esquecer que sou português. Gasto menos tempo e dinheiro em viajar de Manchester a Lisboa, do que de do Porto a Lisboa! Emigrante " lá fora"? só na cabeça das pessoas...


Poucos sabem que vou. Apenas quando volto, digo que lá estive, para evitar o chorrilho de desgraças e más notícias. Não. Quero apenas comprar um bilhete, e atravessar o Tejo, apreciando a região que me viu nascer. Sem telemóveis a tocar, a dizer que o João já se separou da Carla, e que o Fernando perdeu o emprego. E que assaltaram a bomba da via rápida mais uma vez.

Mas este não é um texto de pessimismo. Muito pelo contrário. Estamos no início de mais um ano, e apesar dos políticos nos darem a "novidade" que este irá ser um ano difícil ( Há quanto anos andamos a ouvir este discurso esfarrapado?), quem está de fora do País repara como algumas coisas estão melhor e são motivo de esperança.





Portugal tem um serviço de Saúde mais humano e higiénico do que Inglaterra. Não tão eficaz , é certo. Mas não se pode ter tudo. A comida e o Sol, são cada vez melhores, principalmente para quem sabe o que é fish and Chips e " English breakfast"...E anda com umas galochas e um guarda-chuva no porta-bagagens, mesmo em Julho...


As auto-estradas, estão ao nível das melhores do Mundo. Os preços, também,claro. Mais uma vez, não se pode ter tudo... Inglaterra tem auto-estradas construidas em 1950, e caminhos rurais alcatroados. Muitas das vezes, não cabem dois carros! Entre Carlisle e Edinburgo, não existe auto-estrada. Imaginem ir de Lisboa ao Porto pela Nacional, atrás de um camião!

Estacionar é gratúito! Claro que há parquímetros, mas não é a "roubalheira" generalizada de Inglaterra. Qualquer sítio, tem um parquímetro. Mesmo o supermercado local! E o parque de doentes do Hospital! Onde os médicos que lá trabalham PAGAM também! Que bom que é parar o Carro na Fonte da Telha ou no paredão em frente ao Tejo e ao bar BBC ( Esta agora!) e não ter de pagar parque. Como em Blackpool ou LLandudno.




( Foto de Mike Silva)

Dois ícones mundiais: A ponte construida pela United States Steel Engineering Corp, que custou 4 Milhões de contos, e tem a viga de ferro contínua mais comprida do Mundo. ( 140 metros), e o Cristo Rei, um agradecimento divino por termos sido poupados dos horrores da Segunda Guerra Mundial.




Portugal pode fazer melhor, e já provámos no passado que podemos ser uma nação de vencedores. O nosso País é aquele que nos dá condições para viver e onde podemos ousar sonhar. Portugal deixou de sonhar, e tornou-se muito rígido e sisudo. Portugal é o tal "velho do Restelo" ,mas muito mais doente e velho e resmungão.

Gosto de ir a Portugal, e passear nos Cacilheiros. Não me imagino ainda de volta,porque não conseguiria lidar com a mentalidade pequenininha, e vir de um País onde me dizem " Sim,porque não?", para um País onde me diriam" Não...porque não! E tem de tirar a senha para preencher o impresso..."

Estou de volta ao meu reduto britânico, com uns poucos convidativos cinco graus negativos, cumprindo a minha condição de português que ao longo dos séculos procurou outras paragens para se desenvolver, trabalhar e descobrir novos mundos. E sonhar. Sobretudo sonhar. Em aniversário de Sala das Máquinas, não podia deixar de anunciar que este vai ser um ano repleto de iniciativas no Mundo Automóvel e projectos que vão dar que falar .

Cumprimentos a todos os portugueses que um dia decidiram deixar a sua terra para procurarem um amanhã melhor, e começar de um folha em branco. Já agora,cumprimentos a todos os que equacionam fazê-lo.
Barco de origem alemã, comprado nos anos setenta. Ainda no activo.

Wednesday, 31 December 2008

Um bom ano novo para todos os visitantes do Sala das Máquinas


(Bilingual text. See below. )

Aqui estamos nós, uns à espera de ver mais um programa de fim-de-ano com uns apresentadores muito plastificados, outros a combinar uns copos misturados com umas corridas na Vasco da Gama, outros desorientados com a perspectiva de irem passar mais um ano, como o anterior. A acabar da mesma maneira, e a começar da mesma maneira. Sair para ir ver o fogo de artifício nalguma localidade mais importante, e já está. Não doeu nada.


As resoluções de fim-de -ano, são extraordinárias! Meu Deus, este ano, milhões de pessoas vão deixar de fumar, emagrecer, e economizar! Tal como no ano passado. Caminhamos para uma sociedade melhor, pelo menos até dia 4, quando tudo já estiver esquecido. Hoje, tenhamos os nosso sonhos e os nosso objectivos.


O sala das máquinas, completa em Janeiro o seu primeiro aniversário, e consegui chegar a mais pessoas , do que se apenas fosse uma idéia de café, e tivesse ficado na minha cabeça. Aqui, coloquei ao cabo de um ano, as minhas visões e opiniões sobre o Mundo e as máquinas que nos rodeiam.


Aqui continuarei a colocar artigos com frequencia, publicar o que me vai na alma e contribuir para tornar o dia-a-dia dos meus amigos mais interessante. Se o que escrevo , levar alguém a coçar a cabeça a perguntar " e se...", ou se a minha experiência no estrangeiro devolver alguma esperança aqueles que a julgam perdida, então irei considerar o meu tempo como bem empregue.


Não desejo que o ano que vem lhes traga tudo o que desejam. Isso é um lugar comum para escrever SMS nos telemóveis. Desejo-lhes que o Destino vos seja justo, e vos premeie dando aquilo porque tanto lutam há tanto tempo. Porque só nós sabemos o que é acordar com vontade de ir à luta, e saber que o Sol também nasce para nós. Porque só nós sabemos que apenas os peixes mortos vão com a corrente. Porque só nós sabemos que não vamos desistir até que esse ano apareça, e nos recompense por danos morais, em duplicado.


Esperemos que seja 2009. Muito obrigado, amigos que visitam o sala das máquinas, e bem vindos a este vosso espaço. Boas curvas, e não bebam muito hoje á noite...
....
I can´t thank you enough, my friends who I know from sure have a nice treat tring to wade trough this portuguese "jiberish", looking for some familiar words. It starts, when I give you that little piece of paper, that you kindly did not lost on yur way home, with some rather long name written on it, followed by ".com".
" Whats the meaning of this, mate?", you ask me, just to confirm it isn't any sort of dodgy porn website. " Engine room..."- I explain you. "It´s about the experiences of a portuguese in the British motoring world, and sometimes beyond..."
"-Ah"- You reply.
But then, all this people around the world that kindly send me their feedback, ( Along with some abuse,of course, when I slash some of their favorite machinery...)that I will probably never meet, but that keep making my writing worthwhile. If I never had make this blog, I would never had people from the Philipines, France or Malaysia getting back to me because of what I write.
We are today entering a new year, and all our hopes and dreams are renovated somehow. We all suddenly have some hope in tomorrow, and everything seems to have a solution. Lets not loose that momentum and keep it as long as we can. We can make it . Those who pursue, shall be rewarded.
Thank you very kindly, for visiting my blog, and I wish you and your family a very happy new year.

Friday, 17 October 2008

Falar sobre carros...


Falar sobre automóveis, não significa esfolhear revistas e discutir aos berros em conversas de café. Falar sobre automóveis, não é apenas despejar novidades sobre os salões automóveis, e o novo carro que há-de sair. Não vejo interesse em babar-me com um carro que ainda não existe, a rodar num carrossel alcatifado.

Essa quadrilha que devora revistas para decorar as cilindradas, prestam um mau serviço aos entusiastas apenas encarando um automóvel como um máquina de lavar. Se tem 100 cavalos, é melhor que o outro que tem 90. Pura imbecilidade.
Falar sobre automóveis, pode ser igualmente dissertar sobre uma máquina que em última análise nos pode unir pelas memórias: Todos conhecemos alguém que teve um Mini, ou um Carocha. Todos nós nos lembramos do carro velho que o nosso Pai teve, e que se estava sempre a avariar. Colados a essas lembranças, vêm á memória tempos que não voltam mais, e tempos que recordamos com saudade.

Falar sobre automóveis, é também avançar soluções acerca de como uma necessidade básica do ser humano continua por ser resolvida: O transporte individual. Sim, não existe até agora uma forma perfeita de locomoção individual: A moto, só tem duas rodas e nela apanhamos chuva. E não é lá uma hipótese muito saudável em caso de embate.O carro, é um desperdício de espaço só para ir para o trabalho, com uma pessoa lá dentro. Não existe portanto um meio para fazer transportar eficazmente uma pessoa. Este é o grande debate automóvel ...




Mais do que as cilindradas e as potências, um automóvel é um fenómeno cultural que apanha diagonalmente toda a sociedade. Ninguém fica indiferente ao automóvel, que conspurca opressivamente toda a paisagem citadina. Sim, posso dizer que detesto muitos dos automóveis que por aí circulam, principalmente porque foram desenvolvidos como máquinas de lavar, e não como modelos com personalidade.A indústria actual ,orfã da criatividade de outrora, e fortemente espartilhada por directivas ambientais, mais não pode fazer do que breves apontamentos nostálgicos,insistindo em reeditar os sucessos de outrora.O debate Automóvel, escrito com letra grande, é o debate acerca da mobilidade, sob qualquer que seja a sua forma. Falar sobre automóveis, é falar sobre a nossa preocupação e vontade em descobrir um meio eficaz de nos deslocarmos de A para B, e no processo adquirirmos alguma satisfação. Não faz sentido falar de automóveis, como quem fala do Space Shuttle. Tem de haver uma componente experimental e tactil . Senão , é como colocar os putos nos recreios da escola primária a falar sobre como desapertar Lingerie.


O automóvel, Para muitos um simbolo de posição social, e para outros uma mera forma de tentarem ser aceites socialmente, e terem tema de conversa nos cafés, é ainda para outros fonte de prazer cinético e um estímulo neuro-motor aos sentidos. Não me perguntem cilindradas e potencias deste ou daquele carro, que eu provavelmente não saberei. Perguntem-me antes o que sinto quando os guio e conserto, ou quando os devolvo à estrada passadas décadas de lá terem saído.E sobre a sua História muitas vezes de sangue,suor e lágrimas.Mesmo num Fiat Panda velho podemos ficar com um sorriso de orelha a orelha. Seja porque nos desenrascou de uma situação dificil, seja porque fomos para o campo da bola sacar uns piões... E isso não pode ser mau.

Sunday, 25 May 2008

BBC RADIO STOKE

O mentor do Sala das máquinas, nos estúdios da BBC com Lamont Howie


( Bilingual article / Artigo bilingue )


O site Sala das Máquinas, tem também a função acessória de demonstar o meu percurso pessoal em Inglaterra, além das habituais máquinas . Hoje, fui convidado pelo produtor Lamont Howie da BBC Radio Stoke, para falar sobre o meu mais recente livro, " How about England", que descreve na primeira pessoa a experiência de deixar Portugal e vir viver para o Reino Unido.


As the "Sala das Máquinas" website, has the acessory purpose of also log my personal achievements in the UK, i am pleased to talk about being invited by Lamont Howie, Producer from BBC Radio Stoke to speak about my experience of coming to this country and about my latest work, a book called " How about England."




Não há um dia sequer, em que os jornais não falem sobre imigração, como um "mal" desconhecido em que nacionais de outros paises apenas procuram o Reino Unido para adquirir subsídios e habitação camarária. E praticar crimes. Falar na palavra "imigrante" desencadeia uma imagem tenebrosa de indivíduos pouco sociais, ensimesmados em comunidades fechadas, sem se integrarem na sociedade, e em suma provocando um choque cultural e social.


There isn't a single day going by, without the media bringing the subject of immigration to the front pages. Immigration, is often seen as an "evil" thing, where nationals from other countries only seek the UK for benefits,crime and social housing, excluding themselves from the society, living in closed communities and therefore clashing socially and culturally.


Eu quis falar um pouco sobre isto, demonstrando a minha postura acerca de vir para Inglaterra como trabalhador especializado, que se integra na sociedade inglesa, e que apenas aceita uma diáspora no Reino Unido enquanto estiverem reunidas as condições de sustentabilidade financeira, e de aceitação pessoal e social. Não concebo permanecer num Pais, longe de tudo o que sempre conheci, e que constitui a minha identidade como português, vivendo miserávelmente e de subsídios. Para isso, ia para Portugal outra vez, onde ao menos podia comer umas sardinhas , e respirar profundamente o ar salgado na Serra da Arrábida sob um sol maravilhoso.


I wanted to speak about this, showing my views about coming to this country as a specialized Engineer, who did his effort to integrate in the english society, and who only accepts his staying n this country while he has means of sustaining himself economically, and being accepted both social and humanly. I can´t conceive being in this country on the dole, living out of benefits, withdrawn from my identity as a portuguese. If it ment to be like that, living miserably,I was better off being back in Portugal, where at least I could eat some nice sardines under a beautiful Sun.

A minha postura neste País, é a de trabalhar arduamente, tanto a nível técnico como pessoal, para conseguir uma integração plena na sociedade, e dar algo em troca a um Pais que tanto me deu. Nunca conseguiria agradecer o suficiente, por ter um dia tido a oportunidade de conhecer pessoas tão humanas,competentes, e desejosas de também tornarem o amanhã um pouco melhor.Para eles, para nós, e para todos. Stoke é uma cidade extraordinária, com uma herança cultural e industrial riquíssima, e eu acho que os seus habitantes deviam ter orgulho do seu passado e do seu contributo para o Mundo.


I will try to work as hard as I can, to achieve a full integration in this society , and give something back to a Country that reached out for my hand when I mostly needed. I couldn´t ever thank enough to such competent and human people I was fortunate to meet during these years, that believed in me and are at the same time as me, people that are trying to make of tomorrow a better day. Stoke is a magnificient city, and I think we all citizens of Stoke should be proud of the cultural and industrial heritage of this city, that gave so much to the world.


( Eyup duck? How at? I just came from up Hanley to the neck end, to me ice, to put me fate up, and have me snapping! Dust want to go Boslem or Tunster?See? I know arfur tow crate! )


Para ouvir a minha participação na BBC Radio Stoke, clique em


To check the BBC Radio Stoke Website,log on






Saturday, 24 May 2008

Tempo de mudança


Inglaterra, é algo que não se consegue explicar.

Todos os que um dia tiveram de traçar o seu destino passando por este País, concordam comigo quando digo que nada do que encontramos aqui, desde o primeiro dia que chegámos , se assemelha à idéia que tinhamos antes de partir.

Acostumados que estavamos em Portugal a aprender a lingua inglesa com sotaque porto-riquenho nas escolas, mesmo nas mais caras ,com nomes ingleses e tudo, eis que por exemplo caímos de Pára-quedas em idiomas e dialectos locais. "Eyup Mate? How at? Dust know arfur tow crate?"

Isto por exemplo, torna um qualquer privilegiado cujos papás lhe pagaram caríssimas lições de inglês num colégio no centro de Lisboa, num rotundo analfabeto. Mesmo um professor universitário com vários anos de Inglês, será tomado por um israelita, mal abra a boca.

Isto vem a propósito de quê? Acontece, que muitos de nós, vêm mais ou menos com ideias preconcebidas e mais ou menos definidas, do que pretendem fazer uma vez em Inglaterra. A ideia que temos de Inglaterra, por vezes, e erradamente, é que é uma espécie de Portugal em que se guia do lado contrário. Ainda por cima, "é a CEE!" Por isso, pensamos que basicamente, basta seguir o modelo de vida e comportamento a que estavamos habituados em Portugal, perder tempo numas filas, e andar com um quilo de documentos atrás, que tudo vai correr bem.

Não perdemos muito tempo a pensar como vai ser a nossa formação, principalmente porque já somos uns "velhos" de 30 e poucos anos, e desde que consigam lavar uns pratitos, e comprar uns paposecos, já está muito bom.

Por isso, vir para Ingaterra para trabalhar com automóveis clássicos, foi como se me tivesse saído a sorte grande! Ganda pinta! Nem olhei para trás, e larguei o meu emprego efectivo no maior clube português.

O problema, é que as coisas aqui em Inglaterra não funcionam como em Portugal. Entra as nove, sai ás cinco, e dá cá o ordenado ao fim do mês. Em inglaterra, principalmente em pequenas empresas, espera-se "commitment", que é uma palavra cara para justificar a ausência de tempos livres , e trabalho "pro bono". Depois, no panorama dos automóveis clássicos, abundam os "investments", ou seja, automóveis que são comprados e vendidos apenas como peças de arte e de lucro, e não como objectos para usufruir da estrada e do tempo.

É como ser casado com a Kate Beckinsale, e dormir em camas separadas.Esperamos fascínio e entusiasmo, e encontramos pragmatismo e formalidade. Por outro lado, trabalhar com clássicos em Inglaterra como profissão, é como trabalhar com a esposa no mesmo emprego. Uma situação que leva ao desgaste. Eu já não posso ver Rolls e MGs! Nem Jaguares E!

E a sociedade inglesa empurra o cidadão para a promoção pessoal, e para o desenvolvimento intelectual. Os autocarros ,as ruas e a TV, anunciam até à exaustão locais onde podemos melhorar o nosso conhecimento. É natural uma empresa admitir funcionários de 60 anos. "We value experience", dizem os cartazes.

Por isso, ingressei num programa que certifica as minhas aptidões profissionais, chamado NVQ , ou National Valuation of Qualifications, que uma vez concluido me permitiu olhar para o mercado de trabalho com interesse, onde algumas propostas interessantes começavam a surgir.

A hipótese de trabalhar como Engineer na maior empresa rodo-ferroviária do Reino Unido, que opera também nos EUA e na Escócia, acedendo a um leque de formação internacional e a uma metodologia de trabalho confirmada, levou-me a deixar há alguns meses o trabalho em redor do veículo clássico como profissão.

Esta minha nova ocupação, vai mais de encontro ás minhas expectativas como pessoa e como profissional. Acredito que o interesse por veículos clássicos, só faz sentido quando olhamos para o Automóvel no seu todo, sem fundamentalismos. Acho muito mais interessante um Porsche 911 Carrera 4 novinho em folha, do que uma carroça com um fogareiro atarrachado, dentro de um vitrine num museu. Gosto muito mais de um Ford Sierra Cosworth de 1988, do que um Ford T. E respeito todos pelo seu contributo para a História do Automóvel.
Acredito sinceramente que evolui,pessoal e profissionalmente, com este passo. Ñão tenho pena de ter largado a minha anterior ocupação, onde fiz grandes amigos para sempre, mas este sector do restauro de clássicos peca por não oferecer estímulo para as expectativas individuais de cada um. É aquilo, e aquilo, e acabou-se. Obrigado a todos por estes excelentes e inesquecíveis três anos.

O futuro do Sala das Máquinas, longe de estar comprometido, dispõe agora de mais tempo e estrutura para percorrer o Reino Unido e arredores, em busca de máquinas e automóveis que povoam os nossos sonhos.

Esta , é a Sala das Máquinas!

Wednesday, 30 April 2008

Mike Silva -Entrevista à BBC 1


Vim para Inglaterra decidido a fazer algo de novo, e a trabalhar árduamente numa área que seria impossível de trabalhar em Portugal. A abertura de mentalidade, o espírito inovador e a vontade de vencer, estão permanentemente á minha volta, e acabaram por me "arrastar" num turbilhão de mudanças.


O trabalho que tenho vindo a desenvolver no universo da escrita relacionada com o automóvel e com outros assuntos de âmbito social, criou algum interesse dos media nacionais ingleses, nomeadamente da BBC1 que enviou a jornalista Liz Copper para fazer uma reportagem com o mentor do " Sala das máquinas".


Não sei que portas se me abrirão no futuro, mas estou disponível para colaborar ou desenvolver projectos de media relacionados com o automóvel. Existem hipóteses, mas estão actualmente em cima da mesa. Tenho projectos para apresentar em canais portugueses, mas como sempre encontro muita resistência.


Tenho uma vontade enorme de fazer algo para o meu País, mas se não puder ser, se continuar a esbarrar em portas que se me fecham sistemáticamente, não tenho outro remédio senão trabalhar para um público inglês.


Obrigado a todos aqueles que ao longo deste tempo sempre me souberam dar uma palmadinha nas costas, e me dar alento. Nunca vos esquecerei.


Friday, 28 March 2008

Mas quem é este gajo que vem para aqui escrever sobre carros?


Vá! Confessem que já tinham perguntado isto...



Quem tem acompanhado este site , de certeza que já percebeu que não venho para aqui escrever porque estive no café a ler revistas de carros.


Porque escrevo então sobre carros ? Bom, essencialmente porque TENHO de escrever. só quem aprecia a leitura e a escrita, pode perceber o que digo. Porquê carros? Porque eles têm feito parte da minha vida desde tenra idade. Aliás, a escrita e os carros sempre andaram de mãos dadas aqui para estes lados.


" Mas eu nunca ouvi falar deste gajo"- Dirão os mais atentos.


Principalmente, porque sempre estive ocupado em sobreviver num País onde ir ao Estoril, mesmo que seja ver uma prova de AX GT, significa ser rico. E além disso ,não há muito por onde escrever num País onde só um MG com um gajo de bigode, bóina e cachimbo é que é bem visto. E onde só ele consegue passar a barreira intransponível do segurança com botas e transmissor.


Um País, onde lemos vezes sem conta " Com a qualidade que a (...) sempre nos habituou ", e sabemos de olhos fechados que aquela marca nem sair do Stand consegue sem se avariar.


" Mas eu tenho de escrever bem do carro, porque senão não me convidam para um próximo lançamento!..." Dizem-me em surdina os meus amigos jornalistas que escrevem e ensaiam automóveis em Portugal.


Entretanto, tendo "enchido a barriga" de tudo quanto é do bom e do melhor no que diz respeito a carros, ter possuído alguns modelos que nem nos meus mais violentos e inimagináveis pesadelos e sonhos julgaria possuir,de ter feito dois livros, ter participado num livro Inglês, e de ter ganho um prémio de escrita promovido em parceria com a BBC, resolvi partilhar a minha experiência com os meus amigos.


Iniciei a minha colaboração como correspondente na revista de referência portuguesa que todos sabem, bem como esporádicas colaborações em Média ingleses, e mesmo um Holandês. E iniciei outro livro.


Tentei também os fóruns sobre automóveis portugueses, mas encontrei a boçalidade , novo-riquismo e sobranceria em muitos deles. Alguns, mergulhados em "regras e proibições" por dá cá aquela palha, mesmo à típico portuga, mataram à nascença qualquer tentativa de mostrar algo que fosse novo. O medo de tudo o que seja diferente, parece ameaçar mentes fundamentalistas.
Não consegui , portanto, enquadrar-me nestes feudos restritos. Participo em dois actualmente, com muito gosto, onde se debatem idéias de um modo salutar e transigente.


" Não admito que venha para aqui dizer mal do Jaguar "E"...!" ( Rir)


Portanto, eu queria mais: Ora pôrra! Vinte cinco anos a lidar com carros, uma extensa passagem pela Força Aérea e pelo ACP, e uma profissão exercida em Inglaterra no mundo automóvel clássico e desportivo, têm que se lhes diga. Por isso criei o "Sala das Máquinas".


Como podem ver, dá praticamente para encher a praça de touros do Campo Pequeno com o número de visitas deste site em dois meses. Isso motiva-me a trabalhar para que a minha mensagem continue a passar: A de que o automóvel é algo que todos temos direito, faz parte dos nossos sonhos e memórias, e que temos o direito de gostar de guiar seja o que fôr, se isso nos dá prazer.
Não temos de nos sentir obrigados a andar de Carocha ou de Mini. Ou de MGB, se formos boçais o suficiente. O dinheiro, infelizmente, não é distribuído de acordo com o bom gosto das pessoas. ( Três mil contos por um MGB! Aahahahahahahahah)


Há por aí muitas máquinas que nem sonham, nem nunca ponderaram, que vos podiam dar horas e horas de entertenimento e prazer. E memórias. O futuro hoje, é apenas um jogo gigantesco que importa escolher e decidir. As opções ,hipóteses e oportunidades explodiram violentamente assim que passei Vilar Formoso.


É por isso que finalmente posso escrever sobre carros, sem dever nada a ninguém.Aqui sabem que escrevo porque guiei, e na maior parte das vezes consertei muitas destas máquinas. Duas actividades dificeis de reunir numa só pessoa. Escrever sobre carros e trabalhar neles!
Tenho conhecido pessoas extraordinárias, com este projecto, não só em Inglaterra, como em Portugal,EUA, Polónia, Holanda,Itália e República Checa. O meu mais sincero agradecimento a quem me tem dado força, e também aqueles que me têm deitado abaixo, pois isso também me fortalece para continuar.
Esta, é a sala das Máquinas. Bem vindo!

Monday, 25 February 2008

Simca 1301 Special...o meu "primeiro" carro!

Parece impossível que ainda não tenha dedicado algumas linhas a este carro que desempenhou um papel tão importante no desenvolvimento da minha vida profissional!

Este carro teve um fim triste em 2002,mas a sua herança permitiu que eu escolhesse o rumo que queria para a vida, e que soubesse pela primeira vez o que era conduzir um veículo motorizado...

A primeira vez que o vi, foi num stand em Lisboa, onde o meu pai tinha ido devolver um Opel 1904, por não estar em condições.Como opção, o dono do Stand propôs a troca por um Simca 1301 Special que tinha vindo como retoma. Decorria o ano do senhor de 1980. Regressámos a casa então ao volante de um Simca com os farolins traseiros estilhaçados. Sim. Os stands nos anos oitenta vendiam carros com os farolins estilhaçados.

Durante anos, viajámos aos fins de semana para Tomar, trazendo umas sacas de batatas e couves na bagageira, avariando amiúde pelo caminho, na "extensa" viagem de quatro horas. Saíamos da Margem Sul, e quando chegávamos a Sacavém, parecia que já tinhamos atravessado Portugal. As estradas eram horrorosas, e implicavam ir pelo poço do Bispo e pela zona da antiga Expo. Com aquele empedrado cheio de crateras, e fraca iluminação.

Em Vila Franca, ou arredores, era hora para parar e almoçar. Pois já se tinham passado quase duas horas . Após um litro de vinho entre todos, retomávamos a viagem, aos pulos no banco de trás sem cintos nem "cadeiras de retenção". O Simca percorria então estreitas estradas de carros de bois, enlameadas e com matacões de barro largados pelos rodados dos tractores, antes de finalmente chegar ao entardecer à quinta .

Anos mais tarde, o Simca ficou parado porque utilizávamos o carro da empresa do meu Pai, um "moderno " Renault 12. Como resultado, a bomba central ficou ressequida, e a bateria sulfatou. E como o carro não andava, o meu pai não se importou que eu ficasse com as chaves, e me entretesse a limpá-lo. Só que se esqueceu de que me tinha posto a aprender o ofício nas férias da escola, na oficina do "Espanhol". Assim, o Simca revelou-se um excelente caderno para fazer os "trabalhos de casa", com a ajuda dos meus amigos de então.

Quotizando-nos entre todos, e com um empréstimo de uma bateria de um senhor que também tinha uma carrinha Simca 1100 côr de laranja ( Não são bonitas, estas cores dos clássicos?), elegemos o "Genny" que era mais velho para ligar o motor. Despejando umas gotas de gasolina no carburador, o motor pegou imediatamente, expulsando o pó e folhas acumuladas. Rapidamente, eu, o "Gordo do sexto andar", o "Vitó", e o Bruno entrámos para o carro, e "à vez" entretemo-nos a treinar arranques.

Tempos mais tarde, ficando mais " experientes", resolvemos fazer uma "visita" á Costa da Caparica, deixando o carro no cimo do monte, junto aos Capuchos. Tínhamos 12 anos! Eu , o Hélio, e o David! O meu pai não ficou muito contente, quando um colega lhe disse que me tinha visto aos comandos na Via rápida! resultado: Chaves para cá!

Entretanto, os anos da legalidade vieram, e a carta surgiu. Passei a utilizar uma "Pão-de-forma" de 1964, que ainda guardo. ( ena pá! Tenho aquilo desde 1987!) O Simca continuou debaixo das arcadas, durante mais quatro anos, até que a Câmara Municipal lhe colou um papel de "abandonado".

Por motivos que se prendem com a incapacidade de uma pessoa se desfazer de um carro, o meu pai pagou uma pipa de massa para mandar rebocar o Simca para a quinta em Tomar, onde ficou estacionado debaixo de uma figueira, por mais oito anos.

Como era de esperar, a corrosão fez o resto e um dia, por volta de 2002, algum comerciante de sucata pegou no que restava e levou para o eterno paraíso dos carrinhos velhinhos.

Não consegui por isso ter oportunidade de salvar esse carro, mas recuperei dezenas de outros que sem a minha intervenção se teriam igualmente perdido. Hoje, a viagem entre a margem sul e Tomar faz-se numa hora e meia, ou em 50 minutos de CBR.

O "Genny", a última vez que o vi, estava a arrumar carros junto ao teatro da Trindade, para sustentar o vício ( Que perda,rapaz!), o Hélio trabalha em Sines, nunca mais soube do Devid, e eu vim para Inglaterra trabalhar com clássicos.

Tenho se calhar a agradecer, aquelas tardes passadas a tentar descobrir para que é que servia aquele tubo por cima do motor, que ia ligar ali, e o que era aquela peça acolá. Num prestável e colaborador Simca 1301 special verde escuro.

Graças a este carro, pude começar a achar interessante um conjunto de peças montado pelo Homem, reunir num só objecto as maiores descobertas da Humanidade, como o Fogo, a Roda, o motor de explosão, a Electricidade, a Química, a Física, o vidro ou o fabrico em série.

E escolher um rumo para a minha vida. Obrigado Simca, pelo empurrãozinho que me deste. Infelizmente, nem fotos tuas guardo, pois nunca estiveste "bonito"e arranjadinho para uma pose. Paciência. Mas as imagens que guardo daquelas pequenas conquistas e primeiras descobertas, estarão sempre comigo de uma forma inesquecível...

Saturday, 23 February 2008

O Rolls Royce Silver Ghost de 1911




Muitos me tem perguntado, acerca do carro com que me apresento neste Blog, e qual a sua História. Este carro, pertence a A. White, um amigo Inglês que o adquiriu há cerca de um ano, e que é presença habitual em Goodwood e outros shows por todo o Reino Unido.

Este foi o primeiro carro a atravessar o canal da Mancha pelo túnel, com a Rainha a bordo!

Esta foto, com que inicio o Blog, tirada em LLandudno no norte do País de Gales, foi a segunda vez que conduzi este carro. A primeira, foi quando por motivos profissionais visitei White em Lincolnshire, numa das suas múltiplas empresas.
Não esperem grande gozo em conduzir semelhante veículo, áparte dos olhares de profundo apreço das pessoas que se prostam em reverência perante tamanho Ícone da História. A direcção parece um camião da tropa de antigamente, e embora o motor puxe todo o conjunto com a força de um petroleiro, o som de carretos a zunir debaixo do estrado indicam que as faixas da direita das auto-estradas ( estamos no Reino Unido,certo?) nunca foram um local muito visitado.
Embora, a baixa velocidade se consiga acelerar o carro sem grande dificuldade, o problema agrava-se quando temos de engrenar uma segunda, efectuando uma dupla, e ajustando o avanço da ignição. Ao mesmo tempo. Enquanto os carretos soluçam em Dó maior . Seja como fôr, é uma condução aturada demais para ser apreciada. Principalmente nos cruzamentos, onde os carros da faixa contrária param para ver, e originam cortes nos dois sentidos, obrigando a uma escolha stressante da posição dos manípulos para arrancar.

Este entusiasta, tem uma abertura excepcional e uma afabilidade que envergonharia muitos pindéricos que pensam que lá porque têm um E-type ou um MG são superiores aos outros, e podem tratar toda a gente com sobranceria e indiferença. Pois bem. O dono deste carro, tem dois helicópteros á disposição, e uma mansão daquelas dos filmes. E um HANGAR com cinquenta automóveis. O que não o impediu de ficar na sala do tamanho do pavilhão da Moita , com Mordomo e tudo, a ver demoradamente fotos de encontros e carros portugueses. E Zundapps!

Temos muito que aprender, principalmente a abrir as nossas mentalidades, e a não criar obstáculos estéreis e dispensáveis entre as pessoas. Um bilionário faz dinheiro, e um mecânico arranja carros. Um Médico trata as pessoas, e um Varredor mantem as ruas limpas para nós podermos andar. Ao fim do dia, somos todos pessoas. Em certos países, isto ainda é assim...




Saturday, 9 February 2008

Transmig Vespawagen

Em 2001, lembrei-me de construir um veículo que pudesse frequentar encontros de motos, de motos clássicas, de Vespas, de automóveis antigos, de Tuning e de Carochas, e que estivesse sempre dentro do tema.

Impossível? Estranho? Impensável? Sim. Tal e qual como o Transmig Vespawagen. Este veículo foi o resultado de muito estudo, de muitas toalhas de papel de restaurante rabiscadas, e de muita carolice e trabalho em cima do joelho. Este veículo foi totalmente e exclusivamente idealizado, pensado,desenhado e construído por mim. Não exsite outra coisa assim no Mundo. Podem procurar! 100% Mike Silva. A marca deriva do meu nome e da palavra "transformação". Já tinha utilizado esta designação para produzir um protótipo de rallie com o meu amigo Faro ,nos anos 90, utilizando um chassis de Datsun 100 a, e as oficinas da Força Aérea. Depois veio o Renault 4 com motor traseiro do A6, que repousa numa quinta em Tomar, como projecto inacabado.

Em 2001, vivia num andar, e por isso tive de alugar uma Ford Transit para poder transportar um chassis de um carocha e componentes para Tomar. O Transmig foi construido num barracão no meio de tractores e alfaias. E foi testado na via pública quase deserta, perante o olhar atónito da população local.

Em 2002, o transmig fica concluido na VESPERA do encontro de Faro, e foi rebocado 450 KM com recurso a um Daewoo Matiz, recheado de equipamento, incluindo garrafas de oxiacetileno. ( Ganda carrinho- Ver cronica neste blog)

Durante o encontro, passeou uma equipa de reportagem da TVI, e participou no Bike show desse ano. Não atingiu os lugares cimeiros, pois na categoria "Strange", teve de degladiar-se com uma alfaia agrícola com motor Zundapp, e uma scooter que tirava imperiais.

Durante 2003, com o "auxílio" da Brigada de trânsito,( sem saberem, pois estavam mais á frente a "abrir caminho" para um encontro de motos) foi testado no IC 13, entre a saída para o Barreiro e Moita, atingindo a velocidade de 141 KM/h, não tendo sido utilizados os travões para abrandar por motivos técnicos. Ganhou o prémio de criatividade no encontro da Nazaré.

Em 2004 tornou-se bastante popular no EuroVespa realizado em Lisboa, tendo sido requisitado e mostrado no programa "Extase" da SIC. Vários órgãos de comunicação nacionais e mesmo internacionais, como a RAI UNO fizeram deste protótipo notícia um pouco por todo o lado.

Está mal soldado? Está mal pintado? Devia ser assim ou assado? Se calhar devia. Mas queria ver alguém construir algo assim tendo apenas á disposição muita boa vontade e ferro-velho. Nada mais.

Basicamente, este veículo tem como pretensão proporcionar momentos descontraídos de boa disposição onde quer que eu me atreva a deslocá-lo. Não sei qual vai ser o futuro deste protótipo, mas que me deu muito gozo toda esta história ao longo destes anos,ah isso deu...

A Transmig, "marca" que utilizo para autografar as minhas criações exclusivas de chapa, continuará com as suas magras posses a lançar para a cena automóvel exclusivas e impensáveis criações, que apenas surgem porque tem de surgir,porque o espaço na minha cabeça fica tão apertado, que as idéias tem de ser postas cá para fora.

Motor,caixa e suspensão de um Impreza já tenho aqui...o resto não digo...

( Podem vero Transmig Vespawagen no fundo desta página,nas fotos.)

Monday, 28 January 2008

O amor-ódio aos carochas

Não tenho nada a provar a ninguém em matéria de "Carochismo". Neste preciso momento, encerrados num local secreto em Portugal, tenho seis unidades desta "religião" á espera , ora de serem trazidos para Inglaterra, ora de serem "um dia" restaurados em Portugal...ou mesmo de me dar na telha e "despachá-los!"...

Fora as DEZENAS de outros que desmanchei para tirar peças, e as CENTENAS de outros que me passaram pelas mãos. Construí uma das vespas mais potentes do Mundo com um motor 1600, e recuperei uma pão de forma do estado de sucata,durante oito anos, que chegou a figurar no salão de vendas da RTM Alfragide no cinquentenário da Transporter em Portugal.

Andei anos e anos por encontros de Carochas, e conheço a fina flor da malta ligada ao meio.E por azar, eles conhecem-me todos a mim, por isso, tenho que "jogar" um pouco com as palavras aqui, se não se importarem.

Devo portanto, perceber uma coisinha ou outra sobre o assunto. O problema dos carochas, é que se fabricaram demasiados. Existem mais carochas que Fiats Uno e Citroen AX. Mas isso é mau. É mau, porque ao contrário dos AX, os carochas foram fabricados há mais de trinta anos. E isso na cabeça das pessoas torna-o num carro "antigo"...e dispendioso!

Como é um carro "antigo" e "dispendioso", os "organizadores" de encontros de carochas, acharam por bem subir em flecha as inscrições dos encontros, pensando que isso de "carro do povo", era uma historia da carochinha. Afinal o Golf e o Passat são caríssimos, porque razão não haveria o Carocha ser carro de "ricos"? Toca a gamar!

Como foi um carro muito fabricado, muitos modelos acabaram por cair nas mãos não de entusiastas, mas nas mãos de "papa-revistas", que acham "giro" ter um carocha. E por vezes estes "papa-revistas" tem a idéia de "organizar um encontro" de Carochas.

Como é que estes tenrinhos organizam um encontro de carochas? a) mandar um mailing a informar do local do encontro. b) subir, sem razão aparente, o preço das inscrições em relação ao ano passado em cerca de dez Euros. c) vestir uns coletes a dizer "organização " e ensacar a massa. Como o "carro do povo", continua em muitos casos a ser do povo, só os "Eng" e "Dr"conseguem pagar as inscrições dos encontros...e os doentes crónicos como eu, que deixam de comer para lá estar.

Só que chego lá, e encontro personagens a discutir quantos milhares gastarm na recuperação do carro, e nem uma pinga de "carochismo" como antigamente na Nazaré, ou em Loures. Apenas boçalidade novo-riquista.Um "fanático" desta organização lisboeta, decidiu mesmo desprezar numa conversa "estes carochas normais que há para aí ao pontape" apontando com desdém para um vermelhinho mal pintado, comparando-o com um VW 181 verde de um "Dr"...

Para esta malta, carochas significa apenas engraxar doutoures e engenheiros acerca dos seus exclusivos e dispendiosos Karmann e Cabriolets, para que eles continuem a vir aos encontros "largar" umas massas valentes. O carocha do entusiasta que fez um esforço para estar ali, vê-se subitamente orfão .Vê tudo entregue aos bichos. Esta malta imberbe não percebe o que custa manter em funcionamento um carro destes.

Mas este mal não é só dos carochas. Circula por toda a cena dos clássicos em Portugal. Tens um Mini, és de uma categoria "inferior". Tens um Jaguar? Ah, então já és um "coleccionador"...

Por isso, olho para a minha colecção de 1250 miniaturas de VW, e pergunto se não será melhor dar isto aos putos para eles partirem. Não me sinto muito confortável ter como paixão um carro eleito como preferido por boçais e oportunistas. Digam-me lá sinceramente se já viram algum New Beetle sem ser nas unhas de uma fulana privilegiada e loura?

Venham ver um encontro em Inglaterra! Gratuito, á sombrinha, com um picnic em que a malta trás de casa um farnel e estende a toalha atrás de um Rolls Royce, conversando com um amigo de um Minor ou de um Standard. Ou melhor, fazendo amigos.Sem elitismos. Sem peneiras. Sem senhor doutor para aqui, senhor engenheiro para acolá. Sem " O meu carro custou tanto, e gastei tanto".

Com cada um a trazer o que de melhor conseguiu arranjar, o seu modesto clássico. Para que todos o possam apreciar. E depois adormecer ao fresquinho ouvindo a banda Jazz do clube dos Ford Escort...

Mas quem sou eu para estar aqui a falar sobre carros?

Não! Não estou aqui a escrever sobre automóveis porque tenho um Saxo com um ailleron na traseira, nem porque costumo babar-me para cima das revistas que falam de cilindradas e potências como quem barra um pão com manteiga.

Nem tampouco porque desejo ser politicamente correcto, e dizer aquilo que toda a gente já está acostumada a ouvir . Pérolas do tipo : " Com a qualidade habitual no grupo Volkswagen" ( Rir), ou " Os acabamentos neste modelo revelam a extremo cuidado posto na construção..."

Não. Nada disso. Se era isso que esperavam, podem continuar a ir á área de serviço comprar aquelas revistas decalcadas de números internacionais, traduzidas á pressão para agradar o " Manuel do Civic", e os putos do bairro que sonham com a Vasco da Gama...Não estou aqui pra agradar ninguém, nem colocar o meu pensamento a soldo de nenhum interesse.

Eu trabalho em automóveis, desde praticamente que me conheço. Comecei a aprender os nomes dos modelos e das peças, mesmo antes de ir para a primária. Quando entrei no primeiro dia de aulas, já sabia ler perfeitamente a " Auto Mundo".

Para fugir ao flagelo da droga, que clamou muitas vidas também na Margem Sul, o meu pai colocou-me a aprender o ofício na oficina do "Du", e do "Espanhol" De maneira que , com doze anos, comecei a lavar peças da maioria dos carros que agora são considerados clássicos. E a guiá-los, também, até ao dia em que a Policia me veio escoltar com o seu Peugeot 404 carro-patrulha até ao portão do "Espanhol" ..." Ó chefe! não deixe o puto conduzir! "

Após duas décadas de Bombeiros , especialista da Força Aérea, mecânico de marca e como técnico do ACP , achei melhor pegar no meu curso e vir para Inglaterra lidar com automóveis clássicos, porque em Portugal, só podia ir ao Estoril se fosse filho de alguém conhecido. Em Portugal, restava-me umas provas de AX e Ford Fiesta, e mesmo assim lá estava o Securitas no túnel a perguntar se eu tinha credencial...

Mal cheguei a Inglaterra, o meu novo patrão diz-me com um ar preocupado que tem de me manda um mês para Chichester, no sul de Inglaterra para tirar um curso na Rolls-Royce! Que maçada!...Aqui estava eu perdido em Inglaterra , o pais do automóvel clássico, com 1001 autódromos e pistas de aviação desactivadas, abertas ao público de um modo fraterno. Silverstone, Oulton park,Goodwood, Donington e Anglesey tornaram-se numa espécie de "ir ao Colombo" ao fim-de-semana. Sem o Securitas com um transmissor a deixar entrar apenas a "Micá", e o " Sebastião Vasconcelos e Sá".

Assim, entre viagens aos EUA e França, tenho convivido de perto com ícones fortíssimos do mundo automóvel, bem como as suas mais importantes figuras. um dos episódios mais marcantes , foi a possibilidade de ter "conduzido" devagarinho um Bugatti Veyron, o ano passado em Goodwood com um engenheiro da VW. E ter conhecido pessoalmente Sir Stirling Moss. E Jeremy Clarkson. E Stig Blomqvist. E Michelle Mouton,Lewis Hamilton, Keke Rosberg, Richard Petty, Hannu Mikkola, Mika Hakkinen, Rauno Altornen,e...

Quando falo sobre automóveis, podem ter a certeza que já esmurrei os nós dos dedos em muitas bombas de água, já me esfreguei tardes intermináveis por baixo deles a tentar desmontar uma caixa de velocidades, a berrar asneiras de fazer corar o Fernando Rocha, porque o martelo escapou, ou porque um parafuso "moeu",e sobretudo que continuo a encará-los como uma importantissima parte da nossas vidas, a maravilhar-me com um produto que consegue reunir num só corpo, as maiores descobertas da humanidade como a roda, o fogo, a electricidade , a fisica e a quimica.

Bem vindo ao Blog sala das máquinas, coordenado a partir de Inglaterra.

PS: Ah, já agora, tenho doze horas de voo em Robinson R22...